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Capital angolano aumenta a sua influência na imprensa portuguesa

António Mosquito Mbakassi, conhecido empresário do regime angolano e próximo de José Eduardo dos Santos, em parceria estratégica com o genro de Cavaco Silva, Luís Montez, adquiriu 27,5% do capital do grupo Controlinveste Media, detentor de órgãos de informação como o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF.
José Eduardo dos Santos e Cavaco Silva em Angola. Foto retirada do site da Presidência da República

O empresário angola António Mosquito Mbakassi, próximo do Presidente José Eduardo dos Santos, conseguiu concretizar a sua entrada nos meios de comunicação social portugueses, concretamente no grupo Controlinveste Media, onde passará a deter uma posição acionista de 27,5%.

Este grupo de imprensa, onde Joaquim Oliveira era acionista único, detém os jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, O Jogo, Açoriano Oriental, Diário de Notícias da Madeira, Jornal do Fundão, a rádio TSF e as revistas Volta ao Mundo e Evasões.

Após este acordo, assinado na manhã de terça-feira em Lisboa, nas instalações do BCP na Rua Augusta, Mosquito e Oliveira passam a deter 27,5% do capital, respetivamente, o restante será detido por três novos acionistas: Luíz Montez, genro de Cavaco Silva, o BCP (que conta com forte presença de capital angolano) e o BES, cada um com 15%.

O empresário angolano e Montez, coproprietário do Pavilhão Atlântico e da empresa de eventos Música do Coração, aparecem juntos neste negócio, tendo estabelecido para o efeito uma parceria estratégica. Supostamente, do outro lado, irá estar Joaquim Oliveira e ambos os bancos, que avalizaram a operação.

Aparentemente, as instituições credoras da Controlinveste - à qual pertence a Controlinveste Media - terão pressionado Oliveira a chegar a um acordo com Mosquito e Montez, que inclui a reestruturação da dívida do grupo Controlinveste Media aos dois bancos, que ronda os 60 milhões de euros, e um futuro aumento de capital.

Daniel Proença de Carvalho foi convidado pelos novos acionistas para ser presidente não-executivo do conselho de administração. O conhecido advogado do mundo dos negócios portugueses é também presidente do conselho de administração da Zon Multimédia, onde Isabel dos Santos é a maior acionista, membro do conselho de remunerações do BES, tendo ainda sido presidente do conselho de administração da RTP e mandatário nacional da candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República em 1996.

Segundo a edição online do jornal Público, o negócio foi assessorado financeiramente pelo Banco Privado Atlântico, liderado por Carlos Silva, que é também administrador não executivo do BCP. Proença de Carvalho e Carlos Silva são ambos acionistas da Interoceânico, de capitais portugueses e angolanos, que detém uma posição no BCP.

Quem é António Mosquito?

Segundo a imprensa angolana, António Mosquito Mbakassi gosta de se apresentar como uma figura independente dos partidos de Angola, mas a sua carreira de empresário também surge associada aos meios próximos de José Eduardo dos Santos. Mosquito assumiu a gerência da firma Oliveira Barros & Cia, onde trabalhava, quando os donos regressaram a Portugal. Natural do Huambo, praça-forte da UNITA, aceitou as oportunidades que lhe foram dadas pelo poder do MPLA no fim da guerra civil, mas nunca se filiou no partido.

O grupo empresarial que fundou - Mbakassy & Filhos - distribui os seus interesses pela importação de viaturas Audi e Volkswagen - na maioria com destino aos serviços do Estado angolano e ao uso particular da elite empresarial e política - e pelo petróleo, através da Falcon Oil, uma empresa registada no offshore do Panamá e da qual a ONG Global Witness afirmava ser detida também pelo traficante de armas condenado em França no 'Angolagate', Pierre Falcone. A empresa veio negar publicamente essa ligação em 2011. A Falcon Oil participa na prospeção e exploração em cinco blocos petrolíferos angolanos.

Os interesses deste empresário passam também pela construção civil, onde surge associado à Teixeira Duarte e à Odebrecht e pelo setor diamantífero, através da KSM-Kassypai Sociedade Mineira. Mas também pelas novas tecnologias: a sua empresa Microcenter surge como parceira da Novabase na empresa NBASIT, criada em 2010. Mosquito detém ainda 12% do capital do Banco CaixaTotta Angola, controlado pela Caixa Geral de Depósitos e o Santander. A Sonangol tem um quarto do capital do banco, colocado em sétimo lugar no ranking da banca angolana.

O nome de António Mosquito Mbakassi surge ainda associado ao negócio da instalação em Angola de uma linha de montagem de automóveis Volkswagen e Skoda em 2005. Segundo a investigação "MPLA, Sociedade Anónima", do jornalista Rafael Marques, a empresa vencedora do concurso, registada nos EUA, comprometeu-se a vender 49% da sua filial angolana a cinco entidades: a Mbakassi & Filhos, do novo dono da Controlinveste; a Acapir, de Tchizé dos Santos, filha do presidente angolano; a GEFI, empresa do MPLA; a Suninvest, da Fundação Eduardo dos Santos; e a Tchany Perdigão Abrantes, prima de Tchizé.

Foi publicado na altura que António Mosquito terá ficado desagradado por lhe terem sido retirados 16% da sua quota a favor da de Tchizé, entretanto nomeada vice-presidente do consórcio. Três dias depois da assinatura do contrato, o presidente Eduardo dos Santos mandou juntar à mesma mesa o representante da empresa vencedora e António Mosquito, para deixar bem claro em ata que não foram levantadas suspeitas de favorecimento da filha do presidente angolano. Eduardo dos Santos deu luz verde ao negócio numa reunião posterior do Conselho de Ministros.

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