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Chile: Coligação de Esquerda vence primeira volta das presidenciais

Michelle Bachelet, da coligação de esquerda Nova Maioria, venceu a primeira volta das eleições presidenciais chilenas, derrotando a candidata da direita herdeira de Pinochet, atualmente no governo. A esquerda conquistou venceu ainda as eleições para o Senado e o Parlamento, onde se destaca a eleição da popular ativista estudantil Camilla Vallejo.
Foto: Camilla Vallejo à esquerda; Michelle Bachelet ao centro.

Michelle Bachelet, candidata pela coligação de esquerda Nova Maioria, venceu a primeira volta das eleições chilenas com 46,73% dos votos, contra os 25% de Evelyn Matthei, da UDI (União Democrática Independente, direita), partido do atual presidente Sebastián Piñera.

Apesar da ampla vitória, a socialista Michelle Bachelet não conseguiu atingir o seu principal objetivo, vencer sem necessidade de uma segunda volta, ficando a 3,27 pontos percentuais de o conseguir.

O resultado final deste ato eleitoral está muito próximo dos resultados de 2005, quando Bachelet venceu a primeira volta com 47%, contra 25% de Sebastián Piñera, que depois ganharia na segunda volta.

No seu discurso na sede eleitoral da coligação Nova Maioria, Bachelet reconheceu imediatamente os resultados e a necessidade de uma segunda volta. “Que não tentem ocultar a verdade deste resultado. Mesmo não sendo uma vitória na primeira volta, foi uma grande vitória, que mostra que os chilenos estão do lado das nossas ideias". Para Bachelet, a vitória deste domingo representa o apoio a temas como a educação gratuita, maior igualdade social e a integração e uma reforma tributária que combata a desigualdade. “Hoje os chilenos disseram que querem uma nova constituição!", afirmou num discurso aos militantes e apoiantes, referindo-se à proposta de convocar uma Assembleia Constituinte.

“Ganhamos novamente às sondagens, que fizeram um esforço em mostrar uma falsa vitória na primeira volta, e esconderam essa parte do país que está com medo de que a esquerda impulse o seu projeto de desestabilização do país", afirmou sorridente Evelyn Matthei.

Em terceiro lugar, com 10,94% ficou o candidato do Partido Progressista (esquerda) Marco Enríquez-Ominami, e, em quarto o populista de direita Franco Parisi, com 10,14%.

Apenas 1% dos eleitores anulou o voto e 0,7% votaram em branco.

Para a segunda volta, Michelle Bachelet é a grande favorita, pois, para além de ter faltado pouco para vencer logo na primeira, deverá contar como apoio dos eleitores de seis dos sete candidatos que não passaram da primeiro volta. A sua adversária, Evelyn Matthei terá de tentar convencer os 50% de eleitores que não foram votar.

A segunda volta das presidenciais realiza-se a 15 de dezembro.

Esquerda obtém maioria no Parlamento

Para além das eleições presidenciais, os chilenos foram chamados a eleger 120 deputados e 20 dos 38 senadores. Segundo a Comissão Eleitoral do Chile (Servel), a futura Câmara de Deputados será composta por 67 representantes da coligação Nova Maioria, que apoia Bachelet, 49 da Aliança pelo Chile (direita conservadora), três independentes e um do Partido Progressista, de Marco Enríquez-Ominami.

Para o Senado, a coligação de esquerda conseguiu 12 mandatos e a aliança de direita 8.

Movimento estudantil determinante para a vitória da coligação de esquerda

Alguns dos rostos que ficaram famosos pelas grandes mobilizações pela educação gratuita promovidos pelos estudantes em 2011 farão, dois anos depois, parte do novo Parlamento chileno. Na eleição de domingo foram eleitos os ex-dirigentes estudantis Camila Vallejo, Karol Cariola, Giorgio Jackson e Gabriel Boric.

Além destes quatro, outros 16 rostos novos obtiveram os seus primeiros mandatos, facto inédito desde da restauração da democracia no país. Além do claro apoio do movimento estudantil, estes resultados indicam um desejo de mudança por parte da sociedade chilena.

Camila Vallejo, candidata pelo Partido Comunista (integrante da coligação Nova Maioria), obteve o primeiro lugar com 43% dos votos no distrito de La Florida, região sudeste da capital Santiago. Jackson, que disputou pelo movimento RD (Revolução Democrática), criado por ele mesmo, ficou com 48% no distrito Santiago-centro, sendo um dos três eleitos como independente. A RD não faz parte da grande coligação de centro-esquerda, mas obteve dela apoio indireto, já que nenhum membro da Nova Maioria concorreu no seu círculo.

Outro nome emblemático dos movimentos sociais que obteve sucesso foi a do dirigente sindical Iván Fuentes, que foi eleito como deputado por Aysén. No início de 2012, Fuentes liderou o movimento regional de Aysén, na zona sul do Chile, que se estendeu por um mês e meio e gerou uma forte queda na popularidade do presidente Sebastián Piñera, chegando mesmo a níveis inferiores a 30%.

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