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2013 está a ser um ano de extremos, diz Organização Meteorológica Mundial

A OMM aponta que 2013 é, por agora, o sétimo ano mais quente desde 1850. O nível dos oceanos continua a subir, batendo recorde. Sobre precipitação, registam-se condições extremas tanto para o excesso quanto para a falta de chuvas em diversas partes do planeta. Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil
Anomalias na temperatura global média / OMM

O novo boletim da Organização Meteorológica Mundial (OMM) retrata como o atual ano está alinhado com as previsões sobre as mudanças climáticas, apresentando todo o tipo de condições extremas.

Para começar, 2013 está em curso para ser um dos dez anos mais quentes já registados desde 1850. Até agora, o ano aparece em sétimo lugar, empatado com 2003, com uma temperatura 0,48oC acima da média entre 1961 e 1990.

“As temperaturas estão semelhantes às médias entre 2001 e 2010, a mais quente década já observada. Todos os anos mais quentes [desde 1850] aconteceram depois de 1998, e 2013 mantém essa tendência. Mesmo os anos mais frios registados recentemente são mais quentes do que os recordes antes de 1998”, declarou Michel Jarraud, secretário-geral da OMM.

“As concentrações de gases do efeito de estufa alcançaram um recorde em 2012, e estimamos que em 2013 um novo patamar seja atingido. Isso significa que estamos nos comprometendo com um futuro mais quente”, completou.

A entidade também confirma o aumento do nível dos oceanos, que bateu um recorde. Os oceanos estão a subir atualmente a uma taxa anual de 3,2 milímetros, praticamente o dobro da média do século XX, 1,6 milímetros.

“O nível dos oceanos continua a subir devido ao degelo das calotas polares e das geleiras. Mais de 90% do calor extra que estamos a gerar através dos gases do efeito de estufa está a ser absorvido pelos oceanos, os quais continuarão a aquecer e a expandir por centenas de anos”, explicou Jarraud.

A presença de gelo marinho no Ártico recuperou um pouco em relação ao derretimento sem precedentes visto em 2012, mas 2013 ainda apresenta um dos menores níveis da história.

O nível mínimo foi atingido no dia 13 de setembro, com 5,1 milhões de quilómetros quadrados, a sexta menor marca já registada. Trata-se de 1,1 milhão de quilómetros quadrados a menos do que a média entre 1981 e 2012.

Sobre precipitação, a OMM registou condições extremas tanto para o excesso quanto para a falta de chuvas em diversas partes do planeta.

Extensão de gelo marinho no Ártico / OMM

Na América do Sul, o Nordeste do Brasil apresentou precipitação muito abaixo da média, com muitas áreas a sofrer a pior seca dos últimos 50 anos. O planalto brasileiro também experimentou falta de chuva, com os piores níveis desde 1979.

Secas assolaram ainda a África, com Angola e Namíbia a terem a pior situação em trinta anos.

Já a Europa, em especial Alemanha, Polónia, República Checa, Áustria e Suíça, teve em maio e junho de 2013 a maior precipitação desde 1950, com os rios Danúbio e o Elba a transbordar.

O Sudeste Asiático, incluindo Índia, Paquistão e partes da China, teve em 2013 a mais longa temporada de monções já vista.

Em relação a furacões e tufões, a média histórica foi respeitada na maioria das regiões do planeta. A exceção foi o Pacífico Norte Ocidental, com 30 tempestades, sendo 13 tufões, contando o Haiyan, possivelmente o maior já registado.

“Apesar de não podermos atribuir ciclones tropicais às mudanças climáticas, o nível mais alto dos oceanos já torna as populações costeiras mais vulneráveis a esses eventos extremos. Vimos isso com trágicas consequências nas Filipinas”, concluiu Jarraud.

Artigo de Fabiano Ávilado Instituto CarbonoBrasil

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