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Rankings de escolas é seriação “redutora, injusta e perversa”, diz Fenprof

A Fenprof divulgou um comunicado onde afirma que “os rankings não servem para avaliar escolas, mas servem para difundir uma imagem negativa das escolas públicas”. A federação sindical salienta que os rankings é uma “seriação das escolas redutora, injusta e perversa”.
Fenprof afirma que “os rankings não servem para avaliar escolas, mas servem para difundir uma imagem negativa das escolas públicas” - Foto de Paulete Matos

Em comunicado com o título “Os 'rankings' e o ataque à escola pública, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) lembra que a divulgação dos rankings das escolas em Portugal começou em 2001 “precisamente no mesmo mês em que o País de Gales anunciou que os abandonava” e realça que sempre a contestou “fortemente”.

A federação sindical refere que “não é possível avaliar escolas tendo apenas em conta os resultados dos alunos em exames nacionais, ignorando outras dimensões importantes”, considera que “não é legítimo comparar escolas cujas realidades educativas são diversas” e que ela “esconde as diferenças entre os contextos socioeconómicos dos alunos e das suas famílias, a escolaridade dos pais ou o meio em que cada estabelecimento de ensino se insere”.

A Fenprof acentua ainda que a divulgação dos rankings, e a profusa campanha em torno dela que o ministério de Crato faz, não “promove a melhoria das supostamente “piores escolas” expondo publicamente o seu alegado insucesso” e, pelo contrário, “a competição introduzida pelos rankings reforça os mecanismos de seleção dos alunos, acentuando as assimetrias entre as escolas socialmente valorizadas e as que, socialmente estigmatizadas, se veem condenadas a ser cada vez 'piores'”.

A Fenprof realça que os rankings divulgados “comparam escolas, públicas e privadas, sem atender aos desequilíbrios do país e a fatores que a investigação comprova que influenciam fortemente os resultados dos alunos” e sublinha:

“Sem quaisquer pruridos, põem a jogar no mesmo campeonato: - escolas privadas que selecionam criteriosamente os seus alunos com escolas públicas a que todos (justamente) têm acesso; - escolas públicas em que a maioria dos alunos beneficia de ação social escolar com escolas privadas com mensalidades que vão até 656,00 euros (...)”

A Fenprof destaca ainda que “a forma como, na comunicação social, se catalogam as escolas como 'boas' e 'más', 'melhores' e 'piores', em função do lugar relativo que ocupam no ranking, é de uma enorme leviandade e falta de rigor”.

A federação sindical frisa ainda que a divulgação dos rankings “é de grande utilidade para a promoção e favorecimento do ensino privado”, objetivo claramente assumido pelo Governo e pelo ministro Crato.

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