Maria Luísa Cabral

Maria Luísa Cabral

Bibliotecária aposentada. Activista do Bloco de Esquerda. Escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico de 1990

A saída do Ministro da Cultura talvez tenha sido a pedido do próprio, talvez não. Coisa menor porque, de facto, três anos de uma mão cheia de nada e outra de cousa nenhuma são mais do que precisamos.

Os seniores, na sua generalidade, supuseram que a saída da vida activa equivaleria a ter direito a um percurso tranquilo nessa fase adiantada das suas vidas. Supuseram mal. A tranquilidade não mora aqui. Aqui é o inexpectável, o abismo.

Os factos e argumentos dos aposentados e reformados são de ordem social. Por isso, entre os números e a vida, o fosso é cada vez maior, incompreensível e inaceitável.

Iniciar a vida académica na universidade como catedrático é indecente. Uma nomeação e uma aceitação inaceitáveis.

No espaço de algumas horas, os sinos tocaram a rebate três vezes. Em Mafra, há sinos dos carrilhões que ameaçam cair. Isto não é normal!

As instituições patrimoniais estão pauperrimamente orçamentadas e a nossa qualificação também passa por aqui.

Têm sido tomadas algumas medidas de reposição de direitos e justiça social perdidos durante o governo de direita. E, com certeza, regozijamo-nos todos com isso mas não chega, é poucachinho.

É bom verificar que na proposta de OE 2018 as pessoas passaram para a linha da frente.

Porque diabo hão-de os pensionistas e aposentados pagar o déficit da CGD?

Teremos slot machines onde antes havia património?! Há túmulos e claustros para todos os gostos e bolsas. Cenários inesperados para chás dançantes ou copos de água. Coitados dos arquitetos projetistas a quem faltou visão para destinos tão comezinhos!