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Brasil: desmorona o império de Eike Batista

Empresário que já foi o mais rico do Brasil e o 7º do mundo pede a recuperação judicial, última tentativa de evitar a falência, que poderá ser a maior da história da América Latina. Expectativas de produção de petróleo da sua empresa OGX não se confirmaram e as ações da empresa acumularam queda de 95% desde 2010.
Eike Batista: ainda há um ano, a presidente Dilma Rousseff dizia que era um exemplo para o país. Foto FIESP

A empresa petrolífera OGX, controlada pelo empresário Eike Batista, que já foi o homem mais rico do Brasil e o 7º do mundo, entrou nesta quarta-feira com um pedido de recuperação judicial, depois de fracassarem as negociações com os credores sobre a reestruturação da sua dívida.

A recuperação judicial é um instrumento da legislação brasileira que permite que empresas que perderam a capacidade de pagar as suas dívidas possam continuar a funcionar enquanto negoceiam com os credores, com a mediação da Justiça, para tentar evitar a falência definitiva.

Segundo a agência Reuters, a OGX declarou uma dívida consolidada de 11,2 mil milhões de reais (aproximadamente 3,7 mil milhões de euros) no pedido de recuperação judicial. No início de outubro, a empresa comunicara ao mercado que não pagaria cerca de 45 milhões de dólares de juros de dívidas emitidas no exterior, já vencidas no dia 1º de outubro.

A verificar-se, a falência da empresa será a maior da história na América Latina.

"Vamos produzir muito petróleo"

A OGX foi criada em 2007 quando Eike Batista obteve os direitos para explorar 21 áreas petrolíferas no Brasil. Mas no início de 2012 apareceram os problemas, quando a bolha de expetativas de produção de petróleo nos campos da OGX pareceu esvaziar-se gradualmente – a empresa reconheceu que a produção prevista para a bacia de Campos era apenas um terço do que o mercado esperava. No dia seguinte, as suas ações fecharam em queda de 26,04%.

O empresário, porém, continuava a garantir que "já descobrimos muito petróleo e realizamos uma campanha muito bem sucedida nos últimos três anos", garantindo: "Vamos produzir muito petróleo". A promessa não foi cumprida e a queda das ações não parou.

Em 1º de julho de 2013, as ações da petrolífera acumulavam uma queda de mais de 95% desde a cotação máxima registada em outubro de 2010.

“Como perder uma fortuna de 34,5 mil milhões de dólares em um ano”, titulou a Bloomberg Businesweek na sua capa esta semana, junto com uma fotografia do empresário de 57 anos.

Batista era ainda, em março de 2012, o oitavo homem mais rico do mundo, com um património estimado em 34,5 mil milhões de dólares. Agora, teria menos de 500 milhões líquidos de dólares, segundo estimativa de agosto também da Bloomberg.

Dilma dizia que Eike era um exemplo

As previsões sempre otimistas de Eike Batista alimentavam a especulação e inflacionavam artificialmente o valor de mercado dos seus projetos. O governo brasileiro e os mercados financeiros, durante um bom tempo, foram atrás delas. Ainda em abril do ano passado, a própria presidente Dilma Rousseff esteve presente na cerimónia que assinalou o início da produção de petróleo da OGX, e afirmou que “uma empresa privada do petróleo tem todo o sentido no Brasil”, destacando que Eike é um exemplo para o Brasil. Os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), o banco de fomento estatal, às empresas de Eike Batista são de cerca de 6 mil milhões de reais, segundo anunciou o presidente do banco em agosto deste ano.

A OGX é a mais importante empresa do grupo EBX (As iniciais de Eike Batista e o sinal de multiplicação), que inclui também a OSX (construção naval), a MPX (produção de energia), a LLX (logística), a MMX (mineração), CCX (mineração de carvão), a AUX (mineração de ouro) a REX (imobiliário), entre outras.

Nesta quinta-feira, é a vez de a OSX tentar desesperadamente obter 400 milhões de dólares para escapar do mesmo destino da OGX. Segundo a consultoria Economática, citada pela revista Exame online, apenas no primeiro trimestre de 2013 as seis companhias de capital aberto do empresário (OGX, MMX, MPX, OSX, LLX e CCX) registaram um prejuízo total de 1.154 milhões, uma subida de 539% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os sindicatos e a Justiça afirmam que já fora despedidos 2.590 trabalhadores de empresas do grupo.

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