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BCE não sabe controlar orçamento da sua nova sede

Arranha-céus de 45 andares em Frankfurt vai custar 1,3 mil milhões de euros e fora orçamentado em 500 milhões; prazo também deslizou de 2011 para 2014. Cada posto de trabalho da instituição que impõe austeridade a países como Portugal ou Grécia vai custar 600 mil euros.
O Tribunal de Contas Europeu concluiu que havia problemas de controlo de custos e pouca transparência na realização dos contratos. Foto de Simsalabimbam, creative commons

O Banco Central Europeu, um dos membros da troika que com tanta sanha impõe austeridade aos países da periferia da Europa, não sabe ser ele mesmo austero. A sua nova sede, um arranha-céus de 45 andares e duas torres ligadas por um jardim suspenso, é disso testemunho. O edifício futurista, de vidro e aço, desenhado pelo arquiteto austríaco Wolf Prix, foi orçamentado em 500 milhões de euros e deveria estar pronto em 2011. Mas este orçamento derrapou para um valor quase três vezes superior, e só deverá estar concluído em finais de 2014. Custará, segundo a Der Spiegel, 1,3 mil milhões de euros, o que significa que cada posto de trabalho custará em torno de 600 mil euros.

O preço para um edifício de escritórios no mesmo bairro de Ostend é de 30 mil euros por posto de trabalho, já de si considerado demasiado alto pelo setor imobiliário. Mas na luxuosa nova sede, o posto de trabalho custará 20 vezes mais.

Trichet enterrou euros junto com a primeira pedra

A cerimónia de arranque da obra foi feita por Jean-Claude Trichet em 19 de maio de 2010. O então presidente do BCE enterrou um punhado de euros junto com a primeira pedra, um ato simbólico para enfatizar que a política de rigor orçamental, recomendada a todos pela instituição, se aplicaria também a si mesma. “Temos de garantir que os custos de construção permaneçam dentro do orçamento estimado”, disse.

O resultado está à vista. Tal como já acontecera com outras grandes construções, como o novo aeroporto de Berlim, os custos da luxuosa sede saíram de controlo. Jörg Asmussen, do conselho executivo do banco, disse que o aumento dos custos se deve ao “aumento dos preços dos materiais de construção e dos serviços”, o que parece uma desculpa absurda diante do tamanho da derrapagem.

A versão da Der Spiegel é diferente: “na verdade, os atrasos e derrapagens nos custos da ambiciosa obra da nova sede resultam do facto de o ex-presidente do BCE Trichet e seus colegas executivos terem orçamentado a obra muito por baixo – de forma irrealista – e também da sua decisão de serem eles próprios a supervisionar o projeto em vez de contratarem uma empresa para o fazer. Numa auditoria realizada antes de começar a obra, o Tribunal de Contas Europeu concluiu que havia problemas de controlo de custos e pouca transparência na realização dos contratos”.

Um veredito arrasador para quem exige que se tire dinheiro a salários e pensões de 600 euros para cobrir os défices orçamentais. Já para o défice do orçamento da nova sede do BCE, não há austeridade nem “regra de ouro”.

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