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Quebrar o ciclo vicioso da fome e miséria

Vamos estar também no dia 26 de Outubro na manifestação promovida pelo Que Se Lixe a Troika. Não desistimos de trabalhar e construir caminhos de unidade que mais cedo que tarde, nos tragam os resultados por que lutamos.

Não vou escrever sobre as violentíssimas medidas que o OE/2014 contem aos mais diversos níveis. Todo ele vai no sentido de agravar as condições de vida dos cidadãos ao cortar nos salários e pensões, ao aumentar impostos, ao atacar direitos consagrados na contratação coletiva, ao aumentar o desemprego asfixiando a economia.

Sentimos há muito na carne os efeitos dos anteriores orçamentos deste governo, sabemos onde nos leva esta política cega de austeridade – ao empobrecimento. Sabemos que contrariamente ao que o governo diz, com o amparo do presidente da República, não resolve o problema da dívida nem do défice, antes os agrava. Estamos num ciclo vicioso que o povo precisa de quebrar.

Não podemos esperar que Cavaco Silva deixe de proteger o seu governo e peça a fiscalização preventiva do OE/2014 ao Tribunal Constitucional, mas também não devemos ficar na expectativa duma qualquer decisão do mesmo, independentemente da nossa convicção de que mais uma vez existem medidas de clara violação da Constituição.

Contra este brutal ataque aos rendimentos dos que vivem do trabalho, só podemos contar com as nossas próprias forças. O governo e a Troika querem ampliar os cortes, o povo terá de responder com a ampliação da luta.

A resistência que temos desenvolvido a esta política tem sido dura e já se prolonga há muito tempo. Esta é uma realidade que aliada à constante redução do poder de compra da população e ao desgaste anímico e económico que tal implica, nos coloca alguns constrangimentos reais na luta pelo nosso objetivo de derrubar o governo e a convocação de eleições antecipadas.

A última manifestação da CGTP no dia 19 de Outubro, trouxe inegável novidade na forma de protesto marcado para a Ponte 25 de Abril e um prolongado braço de ferro com o governo pela liberdade de manifestação e também trouxe polémica quanto à resposta dada à ilegítima proibição do governo.

Estivemos lá, mesmo querendo uma resposta mais firme ao ataque à democracia que a posição do governo configura. Vamos estar também no dia 26 de Outubro na manifestação promovida pelo Que Se Lixe a Troika. Não desistimos de trabalhar e construir caminhos de unidade que mais cedo que tarde, nos tragam os resultados por que lutamos.

Já estão marcadas greves nos Transportes, na Administração Pública que juntam os sindicatos das duas Centrais. A luta não vai parar por aqui e por isso temos de pensar em formas mais dinâmicas, inovadoras e mobilizadoras para desgastar o governo sem desgastar os trabalhadores. É preciso unificar as lutas.

A resposta dos cidadãos deve ser proporcional à radicalidade dos governos, é preciso tomar as ruas para as coisas acontecerem. Não podemos ficar presos aos “medos” deve-se avançar para novas lutas, temos de quebrar o ciclo vicioso da fome e da miséria.

É preciso articular as lutas ao nível nacional e europeu, a próxima reunião da direção da CES - Confederação Europeia de Sindicatos pode ter um papel decisivo ao marcar uma ação geral comum para os fins de Novembro que dê confiança aos trabalhadores europeus para continuarem a luta contra esta política de austeridade que destrói o Estado Social, abre espaço à extrema-direita e põe em causa a própria democracia.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical, membro do Conselho Nacional da CGTP
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