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Brasil: greve contra a privatização do petróleo

Trabalhadores da Petrobras exigem a suspensão do leilão do campo petrolífero de Libra, o maior já descoberto no Brasil. Presidente Dilma, que considerava a entrega do petróleo às multinacionais um crime, agora mobiliza o Exército para garantir o leilão.
"O governo colocou em oferta pública o maior pacote de concessões na história do Brasil. Nem no tempo do Império, da Colónia, houve uma oferta tão grande", disse ministro de Dilma

Os trabalhadores da Petrobras iniciaram na madrugada de quinta-feira uma greve geral que interrompe, segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a produção em plataformas, refinarias, terminais e sedes administrativas da empresa em todo o Brasil.

A greve é um protesto contra o leilão do Campo de Libra, marcado para o próximo dia 21, e por reivindicações laborais. O campo de Libra, na Bacia de Santos (estado de São Paulo), é a maior reserva de petróleo já descoberta no Brasil. Uma quantidade de 8 a 12 mil milhões de barris, a 170 quilómetros da costa.

As previsões mais recentes indicam que dentro de 10 a 15 anos o campo de Libra chegue a produzir 1,4 milhão barris por dia, o equivalente a três quartos de todo o petróleo que o Brasil produz atualmente. Estima-se que o petróleo deste campo tenha o valor de 1,5 bilião (milhão de milhão) de dólares. O governo brasileiro quer pela concessão 15 mil milhões de reais.

O leilão de privatização dá a concessão da exploração do campo por 35 anos ao consórcio vencedor, sendo que a Petrobras terá sempre 30% desta exploração.

Dilma dizia que entrega de petróleo às multinacionais era crime

A decisão de leiloar o campo de Libra significa uma reviravolta em relação ao que a presidente Dilma Rousseff dizia durante a campanha eleitoral, quando atacava as privatizações de Fernando Henrique Cardoso e acusava o seu adversário José Serra de querer entregar o petróleo brasileiro às multinacionais. Para a atual presidente, isso era um crime. Hoje o discurso mudou e Dilma diz que "estes leilões vão injetar bilhões e bilhões na economia, gerando centenas de milhares de empregos".

Nem no tempo do Império, da Colónia, houve uma oferta tão grande”

Mas o Ministro do Desenvolvimento de Dilma, Fernando Pimentel, ao falar a investidores em Nova York, apresentou uma visão muito diferente: "O governo colocou em oferta pública o maior pacote de concessões na história do Brasil. Nem no tempo do Império, da Colónia, houve uma oferta tão grande. Então o objetivo nosso aqui é mostrar isso ao investidor americano, às grandes empresas, aos grandes bancos e fundos", explicou.

Concorrem ao leilão duas estatais chinesas, a CNOOC e a CNPC, a japonesa Mitsui, a indiana ONGC, a malaia Petronas, a colombiana Ecopetrol, a Petrogal (da portuguesa Galp e da chinesa Sinopec), a Petrobras, a hispano-chinesa Repsol Sinopec Brasil (da Repsol com a Sinopec), a anglo-holandesa Shell e a francesa Total.

Manifestações

Cerca de 39 plataformas da Bacia de Campos, responsável por 80% da produção da Petrobras, aderiram à greve.

Manifestantes ocuparam por oito horas a sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Os grevistas também fizeram bloqueios em rodovias, como a que dá acesso à Refinaria Duque de Caxias do Rio de Janeiro.

Exército mobilizado

Para garantir a segurança do leilão de Libra, o governo do Rio de Janeiro pediu o reforço de tropas federais na segunda-feira. Nesta quinta, a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que autoriza a presença do exército.

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