You are here

"O maior interesse para o Governo é despedir pessoas" com a lei das 40 horas

Numa ação de campanha em que o Bloco manifestou oposição ao "negócio ruinoso" do terminal de contentores na Trafaria, Catarina Martins respondeu à intenção do Governo de invocar o interesse público para bloquear as providências cautelares contra a lei das 40 horas semanais na Função Pública.
Catarina Martins voltou à Trafaria para denunciar "negócio ruinoso" do terminal de contentores. Foto Paulete Matos

Questionada sobre a reação do Governo para tentar impedir as ações dos sindicatos nos tribunais para travar o aumento do horário de trabalho na Função Pública, Catarina Martins defendeu que "o maior interesse para o Governo é despedir pessoas, porque não há nada de interesse público nas 40 horas. O Governo até tem estudos que lhes dizem que não há aumento de produtividade", lembrou a coordenadora bloquista.

Esta semana, o Bloco de Esquerda juntou-se ao PCP e o PEV num pedido conjunto de fiscalização sucessiva da lei das 40 horas ao Tribunal Constitucional. Catarina Martins justificou a iniciativa "porque aquilo que se está a impor é um mínimo para o público igual ao máximo que é permitido no privado, e para todas as funções. É exigir trabalho sem remuneração, o que não pode existir". "Despedimentos e salários baixos são a face de um Governo que tem de ser derrotado", concluiu. 

"Dados da execução orçamental mostram violência social sobre o país"

"Foi com muita surpresa que vi ontem o Governo e a direita contentes com os dados da execução orçamental. Aparentemente não olharam para os dados", ironizou a coordenadora bloquista, recordando que "a meta original do défice era de 4%, depois foi negociada para 4,5% e a agora o Governo diz que ficará contente se chegar aos 5,5%. Bem, se estiver a alterar sempre a meta, eventualmente consegue acertar…", declarou Catarina Martins.

Reagindo aos números da execução orçamental, a coordenadora do Bloco disse que eles "mostram como as receitas de impostos indiretos baixam, nomeadamente o IVA, o que significa que a nossa economia e o nosso mercado interno continuam a contrair". "Por outro lado mostra que todo o esforço é feito pelo lado do IRS, o que significa um grande esforço por parte de quem trabalha", prosseguiu, para chegar à conclusão de que "em Portugal pagamos impostos como nunca para termos uma escola pública que abre o ano letivo com turmas a mais sem professores, para ser cada vez mais difícil ter acesso a saúde, para que as pessoas mais pobres estejam a ficar sem prestações sociais".

"O que a execução orçamental mostra é esta violência social sobre o país e a asfixia de uma economia face à chantagem da dívida pública. Uma economia que está sempre a encolher é uma economia que não pode pagar a sua dívida", defendeu a coordenadora do Bloco, reafirmando que "o problema em Portugal não é discutir meia décima ou um ponto do défice, é o de assumir que a dívida é impagável - como o têm dito todos economistas da esquerda à direita -, renegociar a dívida, permitir que o país cresça, criar emprego e tratar com dignidade quem vive neste país".

"Terminal de contentores na Trafaria é negócio ruinoso"

A candidata do Bloco à Câmara de Almada chamou a atenção para o projeto anunciado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira de construir um terminal de contentores na Trafaria. "Dizem que querem investir mil milhões na Trafaria num projeto que nós sabemos que vai destruir ambientalmente, economicamente e socialmente esta terra, uma das mais abandonadas de Almada", defendeu Joana Mortágua.

Por seu lado, Catarina Martins sublinhou que "nós já temos o porto de Sines e não tem sentido os portos portugueses fazerem concorrência uns aos outros e levarem todos à falência. E para norte, sabemos que não há ligação nem ferroviária nem rodoviária que possa servir este terminal de contentores". Para a coordenadora bloquista, "não se percebe o que é que alguém pode ganhar: o país ficará a perder, a Trafaria ficará a perder e Almada ficará a perder com este negócio ruinoso". 

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Política
(...)