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Rui Machete mentiu ao Parlamento em 2008

Em carta enviada ao líder parlamentar do Bloco de Esquerda em 2008, com cópia para todos os líderes parlamentares, o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, garantiu que nunca tinha sido “sócio ou acionista” da SLN, o que hoje se sabe ser uma flagrante mentira. João Semedo salienta que “um cidadão que mente ao Parlamento não tem condições políticas para ser membro de um Governo”.
Rui Machete, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, mentiu descaradamente ao Parlamento em 2008 - Foto José Sena Goulão/Lusa (arquivo)

O jornal “Expresso” deste sábado noticia que Rui Machete enviou, em 2008, uma carta ao líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, onde afirmava: “Tão pouco (…) fui, ou sou sócio ou accionista da Sociedade Lusa de Negócios, SLN, SA”. (Ver carta abaixo e em pdf)

Ora, hoje sabe-se que Rui Machete foi acionista da SLN. Ele próprio já confirmou publicamente que foi acionista e até comprou as ações abaixo do preço corrente na altura (ver notícias relacionadas).

Rui Machete enviou a carta após o Bloco ter anunciado que pretendia ouvir na comissão de inquérito ao BPN todos os antigos ministros do PSD que tivessem sido gestores ou administradores do banco. O atual ministro dos Negócios Estrangeiros não só enviou a carta ao líder parlamentar do Bloco, como enviou também uma cópia aos líderes parlamentares dos outros partidos.

O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, que representou o Bloco na comissão de inquérito ao caso BPN, disse ao jornal “Expresso”: “Desconheço as razões pelas quais disse que nunca tinha sido acionista, quando o foi entre 2000 e 2007. Mas sei as consequências que esse ato teve”.

João Semedo sublinha que a carta de Machete “condicionou fortemente as perguntas da comissão”, fazendo com que nenhum deputado o tenha questionado “sobre o seu estatuto de acionista” e lembra que “à data da audição não era ainda integralmente conhecida da comissão a lista de acionistas do BPN/SLN, informação que, aliás, foi muito difícil de obter”. E frisa que, com a perentória declaração, “Rui Machete passou incólume sobre um ponto essencial da audição”.

O coordenador do Bloco de Esquerda lembra que mentir perante uma comissão parlamentar de inquérito “acarreta responsabilidade pessoal e consequências criminais”.

“O que é mais natural e que prevejo venha a acontecer é que a Assembleia da República comunique este facto ao Ministério Público”, afirma João Semedo, frisando que “se mais ninguém o fizer o Bloco não hesitará em fazê-lo”.

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