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EUA impedem presidente venezuelano de sobrevoar Porto Rico

Os Estados Unidos negaram a autorização de sobrevoo ao avião que transportará Nicolás Maduro na sua visita oficial à China este fim de semana. Ante os protestos da diplomacia venezuelana, Washington acabou por dar a autorização para o avião entrar no seu espaço aéreo.
Desta vez foi Nicolás Maduro a ser impedido de sobrevoar um território por ordem dos Estados Unidos. Evo Morales já passou pelo mesmo e apoia agora o seu homólogo venezuelano. Foto Presidência do Equador.

Notícia atualizada às 19h29: A passagem de Nicolás Maduro pelo espaço aéreo dos EUA, sobrevoando Porto Rico, foi autorizada à última hora e o presidente venezuelano acabou por viajar para Pequim na rota pretendida. A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Marie Harf, emitiu um comunicado a confirmar a autorização e justificou a primeira recusa alegando que o pedido formal da Venezuela não tinha sido "devidamente apresentado", uma situação que foi imediatamente negada pela diplomacia de Caracas.

 

"Ninguém pode negar o sobrevoo a um avião que transporta um presidente da República em uma viagem de Estado internacional", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano Elías Jaua, após revelar a resposta negativa ao pedido de autorização para que o avião do presidente Nicolás Maduro sobrevoasse o território de Porto Rico este fim-de-semana, rumo a Pequim. Segundo a correspondente da Opera Mundi, Jaua acrescentou que este episódio representa “uma nova agressão, uma nova provocação do imperialismo norte-americano” contra o governo venezuelano, que espera ver esclarecidos os motivos desta recusa inédita.

“O governo dos EUA nega-nos a autorização de sobrevoo para irmos à China. Bom, eu ordenei que façam alguma coisa, um percurso maior. Mas o governo dos EUA não nos vai impedir de ir à China”, declarou por seu lado o presidente venezuelano Nicolás Maduro. “O que está acontecendo com os EUA? Por que tanto nervosismo? Por que tanto desespero?”, perguntou Maduro, acrescentando que os EUA também negaram o visto de entrada ao ministro Wilmer Barrientos, que iria participar na Assembleia Geral da ONU, marcada para a próxima semana em Nova Iorque. "Nós não vamos a Nova Iorque porque queremos, como turistas ou de passeio, vamos a um organismo das Nações Unidas, e o governo dos EUA está obrigado a dar visto a toda delegação venezuelana”, defendeu o presidente da Venezuela.

Outro chefe de Estado a reagir a este incidente foi Evo Morales, a quem vários países europeus - incluindo Portugal - negaram há meses autorização de aterragem ou de sobrevoo na sua viagem de regresso da Rússia, por pressão de Washington, que temia que o ex-espião norte-americano Edward Snowden estivesse a bordo. “Se é com o Maduro é com todos, que o governo dos EUA saiba. Se se mete com o Maduro, mete-se com todos os povos da América Latina”, disse o chefe de Estado boliviano em conferência de imprensa. 

Evo Morales diz que vai apelar aos governos que integram a ALBA (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) e outros para que não vão a Nova Iorque participar na Assembleia Geral da ONU em sinal de protesto com a atitude dos Estados Unidos. O presidente boliviano defende ainda a retirada conjunta dos embaixadores latino-americanos de Washington, em sinal de protesto.

Este episódio veio acrescentar ainda mais crispação ao clima da próxima Assembleia Geral da ONU entre os EUA e a América do Sul. Depois das denúncias feitas por Edward Snowden acerca da espionagem da Agência Nacional de Segurança norte-americana sobre a presidente brasileira e membros do seu governo, Dilma Rousseff cancelou a visita oficial que tinha prevista para outubro a Washington e afirmou que irá à sede da ONU na próxima semana com o tema da segurança e privacidade na internet na agenda do seu discurso.

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