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Tsipras na Alemanha: "Austeridade fez renascer o pesadelo neonazi"

O líder do Syriza participou na campanha do Die Linke para denunciar que o dinheiro do resgate da troika foi parar aos bancos gregos e não à população. Em seguida, foi à sede do Banco Central Europeu defender a reestruturação da dívida grega, que continua a aumentar.
Foto Paulete Matos.

O assassinato de um jovem antifascista esta semana em Atenas está a marcar a vida política na Grécia e Alexis Tsipras foi à Alemanha sublinhar que o crescimento da violência neonazi é o resultado da implementação de um memorando que "está a pôr em perigo a estabilidade e coesão social na Grécia". O líder do Syriza falava num comício em Berlim de apoio ao partido de esquerda Die Linke, onde defendeu que "a cultura europeia está a ser confrontada com o pesadelo do neonazismo, nascido destas políticas bárbaras" impostas pelo governo da troika.

Dirigindo-se aos eleitores alemães, Alexis Tsipras explicou que "o suposto resgate do povo grego é na verdade o resgate aos bancos", uma vez que "98% do dinheiro vai parar às mãos dos banqueiros e oligarcas e ao pagamento de juros, enquanto apenas 1,5% chega à economia real". Segundo o diário Ekhatimerini, Tsipras deu o seu apoio à proposta do Die Linke de instituir um salário mínino de 10 euros por hora. "Se um trabalhador alemão vive com dignidade, há esperança para os trabalhadores gregos, mas se um trabalhador grego vive sem dignidade, então o trabalhador alemão poderá ser o próximo", afirmou o líder do Syriza.

Tsipras acrescentou que ao contrário do que defende Angela Merkel, a austeridade não é solução porque "falhou três vezes e vamos a caminho da quarta. A austeridade recicla a crise e não há solução com empréstimos atrás de empréstimos", defendeu o líder da esquerda grega no comício do Die Linke em Berlim.

Tsipras aproveitou a viagem à Alemanha para se encontrar na sede do Banco Central Europeu com Joerg Asmussen, um dos dirigentes do BCE. À saída do encontro, Tsipras repetiu que "três anos depois da implementação das medidas de austeridade, a dívida grega não é sustentável e em vez de cair, aumenta", enquanto a situação social e económica se degrada de dia para dia. 

Com uma dívida a rondar os 170% do PIB e sem dar sinais de recuo, bem pelo contrário, Alexis Tsipras voltou a defender junto do BCE a reestruturação da dívida. Mas do lado de Asmussen, veio a resposta pronta: "Do nosso ponto de vista, o programa está a funcionar. Vemos progressos", afirmou o membro da direção do BCE.

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