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Fim do Inglês obrigatório no 1º ciclo "é atraso civilizacional"

Em pleno caos na abertura do ano escolar, Nuno Crato anunciou um exame obrigatório de Inglês no 9º ano. Dois meses antes, acabou com o ensino obrigatório de Inglês no 1º ciclo, aumentando a desigualdade no conhecimento da língua dos alunos que irão a exame. Para Catarina Martins, "esta medida revela o desnorte de um ministro que gosta de brincar à exigência".
A partir deste ano letivo, muitos alunos vão ficar à porta das aulas de inglês, após Crato ter acabado com a sua obrigatoriedade nas AEC

O despacho do ministro da Educação foi assinado em julho, quando reduziu as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) aos alunos do 1º ciclo, retirando também a obrigatoriedade do ensino de Inglês, revelou esta quarta-feira o Correio da Manhã. 

"Esta medida representa um atraso civilizacional numa área fundamental para o futuro do país, já que vivemos num tempo em que a aprendizagem do inglês é um instrumento essencial, como aprender a ler e a escrever", afirmou a coordenadora do Bloco. Para Catarina Martins, esta decisão de Nuno Crato foi tomada "por despacho, às escondidas das pessoas e sem o debate público que uma situação destas exigiria". 

"Ao retirar a uma parte das crianças a aprendizagem do Inglês no 1º ciclo ao mesmo tempo que anuncia exames daquela língua no 9º ano, Nuno Crato revela uma vez mais a incongruência das decisões e o desnorte que é a imagem de marca do atual Ministério", prosseguiu Catarina Martins, para quem Nuno Crato já deu provas de gostar  de "brincar à exigência" à custa dos alunos da escola pública, retirando professores, sobrelotando as turmas e degradando progressivamente a qualidade do ensino a que têm direito nas escolas portuguesas.

Para o diretor da Associação Portuguesa de Professores de Inglês, ouvido pelo semanário Expresso, as decisões contraditórias do ministro irão provocar uma situação "caótica". Alberto Gaspar diz que a partir de agora, entre os alunos que entram no segundo ciclo haverá os que nunca tiveram contacto com o Inglês na escola e os que o tiveram até quatro anos, dependendo da escola que frequentaram.

Mas independentemente da disparidade nos conhecimentos adquiridos com a língua inglesa, todos serão sujeitos ao exame anunciado pelo ministro no 9º ano de escolaridade. E se juntarmos a reduzida carga horária da disciplina no 9º ano - 90 minutos por semana - com o aumento do número de alunos por turma, Alberto Gaspar alerta para uma situação criada por Nuno Crato que irá impedir "o desenvolvimento de competências escritas e orais" para esse exame obrigatório e que pode contar para a nota final, caso as escolas queiram que assim seja.

Para já, são muitos alunos do 1º ciclo os primeiros prejudicados. Segundo relata o Correio da Manhã, o Agrupamento de Escolas do Restelo já informou os pais que este ano não haverá Inglês nas AEC. A alternativa para esses alunos que se vejam privados do ensino dessa língua na escola pública passará por colocar os pais a pagar pelo Inglês ensinado fora da escola.

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