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Alemanha à beira das eleições federais

As eleições legislativas federais na Alemanha têm lugar no próximo domingo. As campanhas eleitorais de CDU/CSU, SPD, Verdes e FDP retomam em parte, à sua maneira, temas apanhados no arsenal do Die Linke. Por Manuel Kellner.
As campanhas eleitorais de CDU/CSU, SPD, Verdes e FDP retomam em parte, à sua maneira, temas apanhados no arsenal do Die Linke. Uma “grande coligação” CDU/SPD poderá ser o resultado das eleições

As campanhas eleitorais dos partidos estabelecidos como a CDU/CSU (cristão-conservador), o SPD (social-democrata), os Verdes e o FDP (liberal) retomam em parte, à sua maneira, temas apanhados no arsenal do Die Linke (A Esquerda). Die Linke, constituído como novo partido pela fusão do Linkspartei e do WASG (Alternativa Eleitoral pela Justiça Social) em 2007, tinha entrado no Bundestag (o parlamento federal de Alemanha) com 11,9% no ano 2009. Era um sucesso inegável, a debilidade tradicional do Linkspartei/PDS nos velhos Länder no oeste da Alemanha tinha começado a relativizar-se. E o tema mais ouvido, era a justiça social em geral e, com maior razão ainda, a argumentação a favor de um salário mínimo. Em 2009, o Die Linke era o único partido que o defendia.

Hoje, o SPD e os Verdes tornam-se os campeões do salário mínimo, ainda que falem somente de 8,5 euros por hora. Certamente que isto significaria um progresso real para um número importante de assalariados muito mal pagos. Há setores em que não se ganha mais que 4 a 6 euros por hora. Mas inclusive a reivindicação do Die Linke, que não mudou o montante do salário mínimo reivindicado desde 2009, isto é 10 euros, é insuficiente para proteger o assalariado contra a pobreza que o espera quando se aposentar.

A CDU/CSU e o FDP não polemizam abertamente nem contra a reivindicação do salário mínimo, nem contra a exigência de aumento das pensões e dos mínimos sociais. Dizem que não é o estado quem deverá fixar um salário mínimo, que há que continuar a tratar isso por setores, e que em última instância - isto é o FDP quem sublinha - é assunto dos “parceiros sociais” (organizações sindicais e patronais). Mas os sindicatos da central sindical DGB estão a fazer campanha por um salário mínimo geral de 8,5 euros, tal como o SPD e os Verdes...

A feroz política neoliberal do SPD e dos Verdes no governo do chanceler Gerhard Schröder teve consequências muito negativas para as relações tradicionalmente simbióticas da direção do SPD com a dos sindicatos da DGB. A esquerda reforçou a sua presença no seio dos sindicatos. Certamente, não voltámos à situação de antes de Schröeder, mas agora os aparelhos social-democratas políticos e sindicais voltaram a entender-se melhor. E o Die Linke pode orgulhar-se de ter influenciado a evolução das posições dos demais partidos, ainda que pagando o preço de se debilitar do ponto de vista eleitoral; caiu para 6% nas sondagens de opinião (na primavera de 2012). Nas sondagens mais recentes, voltou a subir para 9% na sondagem do instituto Emnid (outro instituto deu-lhe inclusive 10% na semana passada, outros concedem-lhe entre 8 e 9%).

À CDU/CSU, que não tinha obtido mais que 33,8% em 2009, as sondagens dão-lhe entre 39 e 41% agora. Isto, e a popularidade inquebrantável da chanceler Angela Merkel, mostra claramente a força de uma política sentida como defensora do bem-estar relativo em detrimento das populações dos países economicamente bem mais débeis no seio da UE. O fator de incerteza, é o FDP, que tinha obtido 14,6% em 2009 e que agora está em cerca de 5%, o que põe em perigo a continuidade da coligação conservadora/liberal.

O SPD, por sua vez, encontra-se com 25% nas sondagens, e os Verdes com 11% (a sua subida depois de Fukushima, é algo do passado). O candidato à chancelaria pelo SPD, Peer Steinbrück, um frio tecnocrata, é pouco credível nos temas sociais. E nega-se a uma colaboração com o Die Linke para substituir o governo conservador liberal. Uma “grande coligação” CDU/SPD poderá ser, por tanto, o resultado das eleições.

A completar o panorama, a ascensão dos Piratas parece acabada, estão estagnados em 3%, tal como a do AfD (Alternativa por Alemanha), que quer a saída da zona euro para não pagar pelos países pobres.

Artigo de Manuel Kellner, publicado a 8 de setembro em lcr-lagauche.be, traduzido por Faustino Eguberri para vientosur.info e por Carlos Santos para esquerda.net

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