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Carta aos lisboetas

Queremos uma Lisboa mais habitada, mais viva e mais solidária. Acima de tudo, queremos uma Lisboa transparente, ao lado dos cidadãos, que enfrente os interesses que a rodeiam e que garante a participação de todas e de todos no processo de decisão.

Cara amiga e caro amigo,

Quando decidi aceitar o desafio de me candidatar à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, recordei-me dos meus tempos de juventude, bastante semelhantes ao momento atual. Antes do 25 de Abril, Lisboa era um centro de resistência e de atividade conspirativa contra a ditadura então reinante. Bem o sei, pois vivi os meus primeiros 22 anos sob o regime fascista, em Lisboa, até este ser derrotado pelo povo em 1974. Desde então o país cresceu, democratizou-se, enfim, melhorou a olhos vistos. Contudo, olhando para trás não posso deixar de encontrar as semelhanças entre ambas as épocas: hoje também somos obrigados a lutar contra um regime, o da austeridade e da troika, e estamos cada vez mais ameaçados com o regresso de práticas que julgávamos completamente ultrapassadas.

 

Antes do 25 de Abril, Lisboa tinha dezenas de milhares de cidadãos pobres, em condições habitacionais deploráveis e sem nada para comer ao fim do dia. Nem pão, nem educação, nem saúde e nem mesmo habitação. Hoje, o cenário repete-se. Com o desemprego em máximos históricos, o número de lisboetas sem emprego cresce assustadoramente. Vemos todos os dias a fila daqueles que procuram as carrinhas de apoio aos mais pobres a crescerem. É por isso que me candidato: não posso ficar de braços cruzados. António Costa e a Câmara Municipal de Lisboa acordaram tarde e a más horas para o problema da emergência social. Em 2011 e 2012 a situação social já se degradava muito em Lisboa. Em 2011, a câmara aprovou um fundo social na ordem do milhão e quinhentos mil euros e não executou um euro. Em 2012, o mesmo valor, não o gastaram todo. É inadmissível que tal aconteça no cenário atual. Irei batalhar por uma rede de casas de abrigo, cantinas sociais e balneários públicos, aliada a políticas públicas de acompanhamento dos mais desfavorecidos, contribuirá para responder às dificuldades da população pobre de Lisboa, sem criar espaços de gueto na cidade. Há milhares de idosos a viver no mais completo isolamento e solidão, sem ninguém que os ajude. Podemos e devemos mudar esta situação tão desumana.

 

É igualmente visível para todos a degradação do parque habitacional da cidade. A CML possui três mil fogos que necessitam de obras de reabilitação. Proponho que se avance com um forte programa de reabilitação urbana, de forma a colocar casas no mercado a custos controlado, trazer pessoas para a cidade e contrariar o nefasto efeito social provocado pela nova lei das rendas – que está a afetar milhares de pessoas em Lisboa, sobretudo idosos, ameaçados de despejo e de perderem a casa onde smpre viveram. A câmara tem de tratar das suas casas, em vez de as vender. Financiaremos este programa de reabilitação com as receitas provenientes da taxa que iremos criar sobre os imóveis devolutos detidos por fundos imobiliários, os únicos que não pagam imposto sobre a propriedade. É triste ver tanta gente que quer viver na cidade e não pode porque os preços são excessivos. Temos de ter mas casas para alugar. Se a oferta de casas aumentar, os preços baixam e podemos começar a recuperar pessoas para o centro e aliviar a renda dos que já cá vivem. Mas, para isso, é preciso ter coragem para enfrentar os grandes proprietários e fundos imobiliários. Os lisboetas sabem que o Bloco de Esquerda estará sempre do lado do interesse público.

 

Lisboa continua a ser o maior foco de resistência às políticas que atacam o trabalho, os rendimentos dos mais pobres para darem tudo aos bancos e que atiram para o desemprego mais de 1 milhão de pessoas. A minha candidatura visa dar intensidade a este combate político, um dos mais importantes das nossas vidas.

 

Foi em Lisboa que cresci e estudei e é Lisboa a cidade que escolhi para viver. Quero retribuir à cidade - e aos lisboetas – tudo o que me deu. Todas as vivências, tudo o que me ensinou. Queremos uma Lisboa mais habitada, mais viva e mais solidária. Acima de tudo, queremos uma Lisboa transparente, ao lado dos cidadãos, que enfrente os interesses que a rodeiam e que garante a participação de todas e de todos no processo de decisão.

 

Só o Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa pode garantir esta mudança, desequilibrando a favor dos lisboetas e da cidade os impasses criados pela maioria de António Costa.

Sobre o/a autor(a)

Médico. Aderente do Bloco de Esquerda.
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