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Universidade de verão da Izquierda Anticapitalista: “Hay que Echarlos!”

A 4ª Universidade de Verão da Izquierda Anticapitalista (IA) realizou-se no fim de agosto em Segóvia e contou com a participação de mais de 600 pessoas. Em debate esteve o futuro da esquerda política e social em todo o Estado espanhol.
Cartaz da Universidade de Verão da Izquierda Anticapitalista

Das lutas em Espanha pela defesa da Saúde e Educação contra os cortes, à organização da Plataforma pelos Afetados pelas Hipotecas (PAH) contra os despejos, aos debates sobre as autonomias e autodeterminação no País Basco, Galiza e Catalunha, passando pelas lutas contra a troika em Portugal, analisando em profundidade os governos populares, os golpes de Estado e a defesa da soberania popular na América do Sul e chegando às sempre presentes questões de precariedade e dívida, a Universidade cobriu áreas suficientes para atingir todo o espetro social e da política de esquerda. As sessões plenárias incluíram debates importantes e acesos como “Matrimónios e Divórcios entre os Movimentos Sociais e a Esquerda Alternativa” e “Como Unir a esquerda com um programa de ruptura com a troika?”. A universidade de Verão contou com a presença de ativistas sociais e sindicais com e sem partido, assim como representantes partidários eleitos de várias esquerdas do Estado Espanhol, reunindo um possível espectro de setores disponíveis para as mobilizações e mudanças necessárias na alternativa socialista e anticapitalista do território vizinho. 

Do ponto de vista das alianças políticas em discussão no Estado Espanhol, foi interessante observar os debates em que participaram a Izquierda Unida (IU), ANOVA (da Galiza), CUP (da Catalunha) e Amaiur (País Basco). A possibilidade de uma união às esquerdas contra a austeridade e a troika parece teoricamente possível, mas implicará uma grande negociação entre os vários partidos. A IU, em particular, foi muito criticada por aplicar cortes orçamentais na Andaluzia, onde governa em coligação com o PSOE, e o próprio deputado Alberto Gárzon (IU) acabou por admitir que seria necessário, em locais onde a IU fosse eleita, realizar cortes e aplicar políticas austeritárias.

Esther Vivas, ativista política na Catalunha e investigadora em movimentos sociais, políticas agrícolas e alimentares, destacou a presença de mais pessoas este ano do que em edições anteriores da Universidade de Verão. Muitas das pessoas presentes não eram militantes, e, segundo Esther, o espaço formativo promovido pelo partido está cada vez mais a consolidar-se num sentido amplo para a esquerda política e social anticapitalista no Estado. Dos debates específicos aos mais abrangentes, destacou aqueles realizados sobre a união das esquerdas no contexto da crise e da necessidade de representação de correntes de pensamento alternativo nas discussões públicas. “Este ano vivemos uma situação de crise profunda a nível político, económico e social, mas também forte na mobilização social contra os cortes. Na IA continuaremos a apostar no trabalho com os movimentos sociais e também para construir uma esquerda de ruptura com as políticas atuais, tentando encontrar convergências com outras organizações políticas que defendam essa mesma ruptura.”

Manuel Garí, economista, editor da revista Viento Sur e dirigente da IA também destacou que este espaço que já vai no seu quarto ano com sucesso crescente, que a discussão política é mais avançada que no dia-a-dia, e que a variedade é tal que muitos temas em que gostaríamos seguramente de participar, assistir e intervir acabam por coincidir. “Os debates mais pequenos funcionaram muito bem, como é normal, com muita participação, enquanto em alguns grandes debates, especialmente fóruns, muitos dos participantes, inclusivamente os oradores, deveriam cingir-se com objetividade aos temas em discussão, sem se deixarem tentar pelo devaneio.”

Finalmente, a oferta cultural brilhou com uma programação diária de grande qualidade, incluindo as representações do conhecido ator Alberto San Juan com a sua sátira política “Auto-retrato de um jovem capitalista espanhol”, da peça “Marx em Lavapiés”, do Grupo de Teatro Turlitava e ainda “A excepção e a regra”, de Bertold Brecht, pelo grupo de teatro Germinal. Simultaneamente, foram projetados vários documentários, com a presença dos realizadores. A universidade contou ainda com uma ludoteca e uma programação destinada às crianças. Todos os fóruns tiveram transmissão em direto pela internet, com mais de 100 visualizações em cada sessão. Entre os muitos convidados para a Universidade, é de destacar as presenças do britânico Michael Roberts, do francês Michel Husson, da equatoriana Aida Quinatoa, de João Camargo e de Joana Louçã de Portugal, de Josep Maria Antentas, Esther Vivas, Jaime Pastor ou Bibiana Medialdea.

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