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Dilma reuniu com Obama: "Quero saber tudo, tudinho, everything!"

As revelações de Edward Snowden sobre as escutas à presidente do Brasil dominaram o encontro de Dilma Rousseff com Barack Obama no G-20 em São Petersburgo. Obama prometeu esclarecer tudo até quarta-feira e compensar o Brasil. Para Dilma, a privacidade e governança da internet devem ser tema de debate nas Nações Unidas.
Obama prometeu dar explicações até quarta-feira, Dilma quer saber "o tamanho do rombo" da espionagem eletrónica dos EUA ao Brasil. Foto Associated Press

Em conferência de imprensa (ver vídeo ao fundo da notícia)  esta sexta-feira em São Petersburgo, Dilma Rousseff descreveu o encontro que manteve com o presidente norte-americano, num momento particularmente frio das relações entre os dois países. A denúncia de que a Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA escutara conversas da presidente do Brasil com o seu staff - e outras em que intervinham os seus assessores, o mesmo acontecendo com o presidente do México - fez Dilma Rousseff cancelar esta quinta-feira a viagem da equipa de preparação da sua visita oficial aos Estados Unidos, agendada para 24 de outubro.

Dilma afirmou que na reunião que tiveram antes do jantar do primeiro dia da reunião do G-20, disse a Obama que um ato de espionagem "era incompatível com a convivência democrática entre países amigos" e que chegou à conclusão que "essa espionagem, como não tinha nada a ver com segurança nacional, tinha a ver com fatores geopolíticos, tinha a ver com fatores estratégicos ou com fatores comerciais e económicos e que isso era inadmissível".

A presidente brasileira defendeu que "a privacidade é um direito fundamental" e contou aos jornalistas que confrontou Obama com o facto de ele não poder alegar questões de segurança ou terrorismo para um ato de espionagem que "afetava interesses económicos brasileiros, afetava a soberania do país e afetava direitos chamados direitos humanos ou civis, e que era estarrecedor, partindo de um país que tinha na sua fundação, por característica principal esse respeito à liberdade e aos direitos humanos".

Segundo o relato de Dilma Rouseff deste encontro – no qual também participaram o ministro dos Negócios Estrangeiros Luiz Figueiredo e a conselheira de segurança Susan Rice – Obama disse-lhe que "assumia a responsabilidade direta e pessoal pelo integral esclarecimento dos factos, e que proporia para exame do Brasil, medidas para sanar o problema". "Como eu disse que esse processo era um processo lento, que eu não queria esclarecimentos técnicos, não era só uma questão de desculpas, que era uma questão de não admissão desse nível de intrusão e que era importante que fosse solucionado com rapidez, chegou-se a uma data, quarta-feira", anunciou Dilma.

No encontro terá ficado claro, por parte de Obama, que teria de criar "as condições políticas" para que a viagem de Dilma aos EUA avance. Perguntada pelos jornalistas sobre quais seriam essas condições, respondeu: "Eu não sei quais são, eles vão me informar primeiro o tamanho do rombo", antes de os avisar que "não esperem que quarta-feira seja um Dia D.".

"Eu quero saber tudo o que tem. A palavra tudo, ela é muito sintética, ela abrange tudo, tudo, tudinho. Em inglês, everything", sublinhou a presidente do Brasil, explicando que é "muito complicado eu ficar sabendo dessas coisas pelo jornal".

Brasil quer discutir governança da internet nas Nações Unidas 

Dilma anunciou também que comunicou a Obama a iniciativa brasileira de ir "a todos os fóruns multilaterais, em especial junto à Organização das Nações Unidas, propor iniciativas para uma governança da internet que defina normas e mecanismos para coibir e impedir práticas de violação de direitos ou espionagem de quaisquer países".

"Seja a forma que seja que o processo de invasão é feito, ele tem de ser coibido e tem de ser tratado no plano internacional", prosseguiu Dilma Rousseff na conferência de imprensa em São Petersburgo, referindo-se às revelações de Snowden sobre as escutas através dos cabos submarinos e terrestres, dos satélites de comunicações ou dos sistemas telefonicos. "Eu considero que a internet é uma estrutura que garante a liberdade de expressão e que ela tem de ser preservada como tal", preservando a "garantia da privacidade" dos utilizadores, concluiu a presidente do Brasil.

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