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“Cheque ensino é exemplar do assalto ao país promovido pelo Governo”

A coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, afirmou esta quinta feira que o modelo do cheque ensino, proposto pelo Governo, “é, nem mais nem menos, do que tirar dinheiro à Escola Pública para entregar ao negócio privado das escolas privadas”.
Foto de Paulete Matos.

Durante uma ação de campanha em Viseu, Catarina Martins lembrou que, nestas eleições, “a primeira afirmação que é necessário fazer é dizer que não se aceita a inevitabilidade do desastre”.

“O que sabemos neste momento em que somos chamados a escolher é que aquilo que nos disseram que era um caminho inevitável mas certo, o caminho técnico necessário, é, na realidade, uma grande mentira. É na realidade, e tão somente, a maior transferência de rendimentos do trabalho para o capital. É empobrecer o país em nome do capital financeiro, e é contra este roubo que nós nos levantamos”, frisou Catarina Martins.

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda lembrou uma notícia publicada esta quinta feira que é “exemplar deste assalto ao país”.

“Sabemos todos e todas das dificuldades que a nossa Escola Pública está a atravessar”, avançou a dirigente bloquista, assinalando que, nos últimos dois anos, “o desinvestimento na Escola Pública em Portugal foi de tal maneira que passámos de uma média de investimento de percentagem do PIB de cerca de 7% para menos de 4% (3,8%)”.

“E, na mesma semana em que os professores contratados encheram os centros de emprego porque estão desempregados, hoje mesmo, no Conselho de Ministros, o Governo decidiu pelo cheque ensino, que é, nem mais nem menos, do que tirar dinheiro à Escola Pública para entregar ao negócio privado das escolas privadas”, avançou Catarina Martins. “Esta é a marca do Governo. E é bom que percebamos o que é que significa este modelo, porque esta ideia já foi usada noutros países e porque tem consequências”, frisou.

“Todos nós sabemos que há escolas públicas boas e escolas públicas más, como há escolas privadas boas e más”, referiu a dirigente bloquista, lembrando que, no entanto, “apenas a Escola Pública garante, a todos e a todas, sem discriminação, o direito à Educação”. “E é por isso que a obrigação do Estado é a Escola Pública e não financiar o negócio privado das escolas privadas”, defendeu.

Referindo-se à Suécia, onde já foi aplicado este modelo, Catarina Martins lembrou que este país já procedeu à sua avaliação e já “sabe hoje o erro que foi cometido”.

A experiência promovida pelo governo sueco, que nem sequer chegou a abranger todo o sistema de ensino, demonstrou que este modelo aumenta a desigualdade e se traduz na perda de qualidade do sistema educativo, alertou a deputada, garantindo que o Bloco “está a juntar todas as forças contra o projeto do cheque ensino”.

Catarina Martins apelou “ao debate e à mobilização de todos e todas para que exista uma grande consciência na sociedade portuguesa daquela que é a destruição da Escola Pública que Nuno Crato quer impor”. “Para que todos possamos juntar forças e derrotar este ataque à Escola Pública”, reforçou.

“Cada voto na direita é um voto no empobrecimento”

“Há, nas eleições autárquicas do dia 29 de setembro, naturalmente, uma leitura nacional. Em Viseu, como em todo o país, somos chamados a fazer uma escolha, a escolha de dizer que não desistimos da democracia e de dizer não a esta direita”, avançou a coordenadora nacional do Bloco.

“É preciso derrotar a direita nas eleições autárquicas! É preciso que, na noite de 29 de setembro, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas sejam derrotados. Cada voto na direita é um voto no empobrecimento”, adiantou.

Segundo a dirigente bloquista, os dois eixos da campanha autárquica do Bloco de Esquerda são o resgate da democracia e a resposta à urgência social.

“Cada eleito e cada eleita do Bloco vão fazer a diferença nas autarquias e vão ser a voz da democracia, da exigência e da transparência”, garantiu Catarina Martins, frisando que “nas autarquias não se joga uma política menor”. “Vamos decidir sobre a água, que não pode deixar de ser pública, vamos decidir sobre o Ordenamento do Território, que não pode ficar à mercê da especulação financeira”, exemplificou.

“ É preciso levantar a voz nas eleições autárquicas contra uma alternância mole que não é alternativa e que apenas serve o Bloco central de interesses”, rematou.

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