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A companhia de águas que sonha com despejos

A Águas da Região de Aveiro (AdRA) decidiu inovar, não só cobra dos preços mais elevados do país como persegue quem não pode suportar esses custos.

A Águas da Região de Aveiro (AdRA) decidiu inovar. Trata-se de uma empresa pública de águas “em baixa”, resultante de uma parceria entre Água de Portugal e dez municípios da região de Aveiro. A ambição do governo é a sua privatização. A sua gestão é já de “linha privada”.

Os preços cobrados pela AdRA são dos mais elevados do país. No caso do concelho de Aveiro é mesmo a segunda fatura mais cara do país. Não contente com este fenómeno de preços galopantes, a AdRa anuncia agora uma inovação. Em caso de rescisão dos contratos de água, a empresa fecha também o saneamento. O resultado é simples: quem não tem condições financeiras para suportar o pagamento da água vê não só o abastecimento cortado como também o saneamento fechado.

“Como é natural, deixa de ser viável a utilização de uma habitação sem sistema de saneamento em funcionamento”. É assim que a AdRA comunica esta sua fantástica invenção. Temos portanto uma empresa pública de abastecimento de água que considera que a sua missão é inviabilizar habitações. Uma empresa pública que considera que o seu desígnio é obrigar as camadas mais vulneráveis da população ao despejo ou ao balde sanitário. A AdRA leva esse seu esforço a sério e chama ainda as autoridades de saúde para garantir que a habitação não possa ser usada.

É do conhecimento público que no concelho de Aveiro existem centenas de famílias sem acesso a abastecimento de água (e também à eletricidade) por carência económica. A Câmara Municipal de Aveiro, assim como as restantes nove autarquias da parceria, não criaram qualquer solução para este problema real. A situação dessas famílias é agora agravada.

Em pleno século XXI, existe uma empresa pública de água que não só cobra dos preços mais elevados do país como persegue quem, por situação de carência económica, não pode suportar esses custos, empurrando-os para o balde ou para fora de casa. Impõe-se uma proposta e uma solução. A água e o saneamento são essenciais à vida e à dignidade humana. São um serviço público e não mais um negócio. Ninguém pode ser privado do serviço por razões económicas. É por isso que o Bloco defende a garantia de acesso gratuito aos serviços básicos e vitais de água e saneamento. E esta proposta faz tanto mais sentido perante a violência da atuação da AdRA.

Sobre o/a autor(a)

Biólogo. Dirigente e deputado do Bloco de Esquerda
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