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CDS/Oeiras finta Paulo Portas

Escrevo estas linhas a propósito do facto do juiz do tribunal de Oeiras ter rejeitado a lista do CDS para a Câmara de Oeiras. Artigo de Miguel Pinto.

É “interessante” a forma como decorreu tudo isto. A lista foi entregue dentro dos prazos e aceite pelo juiz. No último dia para a supressão das irregularidades, onze candidatos apresentaram a desistência. Foi feito de tal maneira que o mandatário ficou impossibilitado de substituir estes candidatos.

Convém que se expliquem os motivos que levaram militantes do CDS a inviabilizar a lista do partido em que militam.

O motivo foi o candidato escolhido pelo próprio Paulo Portas. Chamava-se Paulo Freitas do Amaral e será bom lembrar o seu percurso político. Em 2009 foi eleito presidente da Junta de Freguesia da Cruz Quebrada-Dafundo numa lista do PS, partido em que militava. Em 2010 quis que o PS – Oeiras o escolhesse para candidato à Câmara nas eleições deste ano. O PS não o aceitou e ele demitiu-se do PS.

Criou, mais tarde, um movimento de cidadãos, a que chamou MOVOEIRAS. Este grupo de cidadãos conseguiu uma certa implantação e, de acordo com o Paulo Amaral, preparava-se para concorrer a todas as autarquias do concelho.

No último trimestre de 2012 ofereceu-se a várias forças políticas – IOMAF (isaltinos), PSD e CDS - como candidato a presidente a Câmara. Foi rejeitado pelas três concelhias.

Dirigiu-se, então, a Paulo Portas, que o aceitou ao contrário do que tinha feito a concelhia do CDS. Ainda não são, totalmente, conhecidas as razões da aceitação de Paulo Portas.

Quando um jornal noticiou que Paulo Amaral seria o candidato do CDS, o MOVOEIRAS expulsou-o e extinguiu-se como movimento. Desde então notou-se o incómodo no CDS – Oeiras devido à escolha deste candidato.

Em Julho de 2012 o Bloco de Esquerda tinha realizado uma sessão pública no Dafundo em que denunciou aquilo que tem sido a atividade de Paulo Amaral. Conseguiu receber ordenado como presidente de Junta a tempo inteiro quando a freguesia tem menos de dez mil eleitores. Ou seja recebeu o dobro do dinheiro a que tinha direito. A Junta recebeu o dinheiro da delegação de competências da Câmara e “esqueceu-se” de pagar 140 mil euros aos empreiteiros. A Câmara e a Assembleia Municipal aprovaram, por unanimidade, a revogação da delegação de competências na junta de freguesia. O próprio Isaltino (aquele em que estão a pensar) apresentou queixa ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público. 

Este é um dos motivos que levaram o CDS – Oeiras a rejeitar esse candidato.

E fizeram-no de tal maneira que o CDS ficou fora da corrida eleitoral, facto que alterará os resultados eleitorais e, muito provavelmente, o novo presidente que vai ser escolhido pelos eleitores.


Miguel Pinto é deputado municipal do Bloco de Esquerda em Oeiras.

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