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Ambientalistas pedem Consulta Popular para exploração de petróleo no Yasuní

A proposta popular surgiu em resposta ao anúncio feito na semana passada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, autorizando a exploração de petróleo numa zona protegida da Amazónia, após ter falhado o plano em que a comunidade internacional pagaria pela sua manutenção no subsolo. Artigo de Tatiana Félix, do portal Adital.
O presidente Rafael Correa foi à Cimeira do Rio no ano passado apresentar o seu projeto para manter o petróleo no subsolo. Um ano depois, ninguém pagou para ver. Foto Presidência do Equador/Flickr

Nesta quinta-feira, um grupo formado por jovens, estudantes, organizações e militantes equatorianos em defesa do Parque Nacional Yasuní, entregaram uma solicitação ao jurista Julio César Trujillo, pedindo apoio para a realização de uma Consulta Popular pela Não Exploração de Petróleo no Bloco ITT (Ishpingo, Tambococha e Tiputini) do parque localizado na Amazónia equatoriana. A proposta popular surgiu em resposta ao anúncio feito pelo presidente do Equador, Rafael Correa, há uma semana, autorizando a exploração de petróleo no Bloco.

Depois de ter lançado para o mundo uma proposta de preservação ambiental do parque, há quase seis anos, o mandatário equatoriano decidiu pôr fim ao projeto Yasuní ITT, na última quinta-feira (15), uma vez que reconheceu o fracasso da proposta, que dependia da cooperação financeira da comunidade internacional para promover a preservação do parque. Apenas 0,37% dos 3.600 milhões de dólares esperados foram recolhidos com o projeto que teria a duração de 12 anos e contribuía para a conservação do meio ambiente global.

Além de conservar o parque Yasuní, um dos mais ricos em biodiversidade do planeta, a ideia era evitar a emissão de mais de 400 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Embora a exploração de petróleo noutros dois blocos do parque, o 16 e o 31, já esteja em marcha, a iniciativa Yasuní do Bloco ITT, foi considerada inovadora.

Apesar de explicar que a autorização para a exploração do petróleo no Bloco ITT do Yasuní se dará devido ao fracasso do projeto, e que utilizará a melhor tecnologia para causar o mínimo impacto ambiental possível no parque, o presidente Correa foi muito criticado por ambientalistas. Em geral, eles acusam o governo de ter apostado no extrativismo mineiro, petrolífero e na expansão do agronegócio.

De acordo com informações da TeleSur, as autoridades equatorianas explicaram, na última terça-feira que a exploração petrolífera no parque Yasuní será feita respeitando o meio ambiente e com projetos sustentáveis para o desenvolvimento das comunidades.

Uma dessas medidas é a não construção de estradas dentro do parque. Para evacuar o petróleo serão instalados tubos desde as plataformas de perfuração. O projeto de exploração do petróleo não tocará a superfície do parque, segundo informações dadas por representantes do governo à TeleSur.

Também na última terça-feira, o presidente Rafael Correa decidiu cancelar um acordo que tinha com a Alemanha, para receber mais de 30 milhões de dólares para a proteção da Biosfera do Parque Yasuní, pois entendeu que o governo alemão queria "intrometer-se e interferir" na política e nas decisões soberanas de seu país. Para o chefe de Estado, a decisão de explorar o petróleo no subsolo do parque Yasuní cabe apenas ao país.

O petróleo existente no subsolo do Bloco ITT do Parque Nacional Yasuní está avaliado em 18 mil milhões de dólares, ou o equivalente à 900 milhões de barris do precioso líquido. O lucro com a exploração deve ser investido em projetos sociais nacionais. O petróleo é a segunda fonte de ingressos no país.


Artigo publicado no portal Adital.

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