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Egito, revolução e golpe de Estado

Na noite de 3 de julho de 2013, o Exército anunciou a deposição do presidente do Egito, Mohammad Morsi, que vinha sendo contestado por grandes manifestações de massas. O presidente, eleito em 17/6/2012, foi detido, órgãos de comunicação ligados à Irmandade Muçulmana fechados e as forças repressivas mataram dezenas em manifestações pró-Morsi. Que aconteceu? Neste dossier, coordenado por Luis Leiria, procuramos contribuir para uma melhor compreensão do rumo que o grande país do Médio Oriente está a seguir.
Manifestação anti-Morsi

Começamos por apresentar a posição dos socialistas revolucionários egípcios e da sindicalista Fatma Ramadan que apela: “Não deixem que o exército vos engane!” Um artigo da IPS mostra que órgãos de segurança que foram desmantelados depois do derrube de Mubarak estão a ser restabelecidos e Aldo Sauda, direto do Egito, diz que ocorreu uma traição para entrar na história. Jacques Chastaing, do A l'Encontre, confia que a população saia novamente à rua por reivindicações próprias, e o egípcio Omar Ashour, professor da Universidade de Exter, sublinha que as Forças Armadas do Egito não querem a democracia. Alain Gresh afirma que a saída de Morsi constitui incontestavelmente uma vitória para a Arábia Saudita e Uri Avnery debate-se com um grande dilema. Finalmente, o PC egípcio afirma que não houve um golpe de Estado militar, mas sim uma Revolução feita pelo povo para se desfazer de um regime fascista.

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Resto dossier

Egito, revolução e golpe de Estado

Na noite de 3/7/2013, o Exército anunciou a deposição do presidente Mohammad Morsi, contestado por grandes manifestações. O presidente foi detido, órgãos de comunicação ligados à Irmandade Muçulmana fechados e as forças repressivas mataram dezenas em manifestações pró-Morsi. Que aconteceu? Neste dossier, coordenado por Luis Leiria, procuramos contribuir para a compreensão do rumo que o Egito está a seguir.

Não em nosso nome!

Sim, a Irmandade causou sofrimento às massas quando exerceu poder; mas o Exército quer restaurar a “estabilidade” – ou seja o regresso de uma certa ordem e do regime. Quer acabar com a revolução, e usará a Irmandade para tal. Declaração dos socialistas revolucionários egípcios.

“Não deixem que o exército vos engane!”

Apelo de Fatma Ramadan, do comité executivo da Federação Egípcia dos Sindicatos Independentes (EFITU): A “permissão” [solicitada ao povo egípcio] pelo general Al-Sissi, é um veneno mortal. Não se deixem enganar substituindo uma ditadura religiosa por uma ditadura militar.

Graxa democrática para botas militares egípcias

O Ministério do Interior anunciou que vários órgãos de segurança que foram desmantelados depois do levantamento popular de 2011 serão restabelecidos. O governo também disse que pode voltar a adotar a Lei de Emergência, usada durante anos para reprimir a oposição política. Por Cam McGrath, da IPS

Direto do Egito: Uma traição para entrar na história

Desde o derrube do presidente Mohamad Morsi, no dia 2 de julho, a esmagadora maioria dos dirigentes com algum tipo de inserção na juventude ou nos círculos operários passou a apoiar ou integrar o atual governo dirigido pelo Exército. E pior, o processo de adesão ao regime ocorre em meio ao derramamento de sangue de dezenas de trabalhadores e camponeses apoiantes do presidente deposto, que estão a ser massacrados pelas Forças Armadas. Por Aldo Sauda, do Cairo

Lei de emergência, Caos Político e Mobilização Social

Depois das manifestações de 30 de junho, as imensas vagas de greves que as precederam durante três meses, é quase certo que a população saia novamente à rua por reivindicações próprias: “pão, justiça social e liberdade.” Por Jacques Chastaing, A l'encontre

“Forças Armadas do Egito não querem a democracia”

Em entrevista à Carta Maior, o egípcio Omar Ashour, professor da Universidade de Exter, analisa o impasse político que vive o seu país, após o golpe militar que derrubou o governo de Mohammed Morsi. Para ele, as forças armadas egípcias não aceitam um controlo democrático e estão dispostas a fazer o que for preciso para permanecer no poder. “O atual governo com civis com doutoramento e PhD foi nomeado pelos militares e só fará o que os militares disserem. Se houver um confronto eles serão afastados”, diz Ashour. Por Marcelo Justo, de Londres.

O Exército, a Irmandade Muçulmana e a Arábia Saudita

A saída de Morsi constitui incontestavelmente uma vitória para a Arábia Saudita e para os Emirados Árabes Unidos e uma derrota para o Qatar. O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan é outro que perde com a nova realidade política egípcia. Por Alain Gresh.

Egito e Síria: o grande dilema

Talvez vocês enfrentem o mesmo dilema moral que eu: Que pensar acerca da Síria? Que pensar acerca do Egito?

PC egípcio afirma que foi uma "revolução democrática", não um golpe

Para Salah Adli, secretário geral do partido, o movimento que derrubou o presidente Mohammad Morsi do seu cargo não foi um golpe de Estado militar, mas sim uma Revolução feita pelo povo para se desfazer de um regime fascista.