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Crónica a uma carta da JSD

As Associações Académicas nada devem à JSD ou a qualquer outra organização partidária, devem sim aos estudantes uma representação à altura de todos os problemas que hoje vivemos.

Mais um ano letivo que fica para trás e com ele um outro começa a dar sinais de vida, no entanto o tempo não resolveu os problemas do ensino superior, e a elitização da educação pública continua ao rubro, com cada vez mais estudantes a abandonar a universidade ou a nem sequer se candidatarem a este grau de ensino.

E foi durante esta pausa para férias, neste momento tão duro para o país, que a JSD decidiu dirigir-se aos dirigentes Associativos de todo o país.1

Nesse documento, o Presidente da JSD deixa em nome próprio e da organização que representa, um carinhoso obrigado pela inércia de todas aquelas académicas que se recusaram a sair à rua, que se recusaram a exigir soluções com toda a frontalidade, e que inevitavelmente trocaram os estudantes pelo discurso do entendimento através do diálogo, diálogo esse que nunca suprimiu as verdadeiras necessidades do ensino superior e de todos aqueles que nele estudam.

E quando o diálogo é inexistente e apenas empata o progresso, a única resposta é a radicalização da reivindicação, porque ao contrário da JSD há estudantes que simplesmente não podem esperar. Essa radicalidade não é mais do que um sintoma de urgência e de desespero, por uma solução que simplesmente ainda não existe, ausência essa que a JSD combate através de cartas como esta.

Mas eles dirão que tudo isto é demagogia, inventarão todo um novo argumento até, mas por cada carta que a JSD escreve defendendo o seu governo, são muitos os estudantes que abdicam da Universidade e entram agora prematuramente no mercado do trabalho, contrariados e derrotados por uma exclusão que já não deveria pertencer aos dias de hoje.

As Associações Académicas nada devem à JSD ou a qualquer outra organização partidária, devem sim aos estudantes uma representação à altura de todos os problemas que hoje vivemos, devem a luta, a indignação, a frontalidade, e neste momento crucial devem a radicalidade; porque de facto algo está muito mal quando já nem o futuro se financia.

Sobre o/a autor(a)

Estudante universitário na UTAD
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