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Estivadores prolongam greve parcial até 18 de setembro

A greve de uma hora por dia útil dos estivadores do porto de Lisboa dura desde junho e vai continuar. O protesto é contra os despedimentos e a precarização dos estivadores, que acusam o governo e empresas de estiva de porem em causa "o regular funcionamento do porto de Lisboa".
António Mariano, presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal.

"Há cerca de um mês, 29 estivadores foram despedidos do porto de Lisboa. Estão navios a ser desviados do porto por falta de mão de obra e os estivadores restantes estão a ser obrigados a trabalhar dois e três turnos por dia e a ser impedidos de ir de férias no mês de agosto", afirma o presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal. António Mariano acusa os operadores portuários de estarem "a tentar substituir os estivadores por elementos estranhos, de empresas subcontratadas para fazer o trabalho de descarga dos contentores”.

Os despedimentos no porto de Lisboa já somam 50 trabalhadores nos últimos meses, numa altura em que, diz o sindicalista, o trabalho tem aumentado. Uma situação que tem levado à sobrecarga dos estivadores, muitos deles em situação precária ao fim de muitos anos de trabalho. Para o secretário-geral da CGTP, que esteve no porto de Lisboa a apoiar o protesto, "o que está aqui a ser preparado é um retorno à praça de jorna".

"Como há muito desemprego, a Administração do Porto de Lisboa e as empresas que aqui laboram estão a tentar afastar compulsivamente os trabalhadores com contrato e a colocar nos próximos tempos milhares de trabalhadores à porta todos os dias, a oferecerem-se para trabalhar, e a trabalharem por aquilo que lhes quiserem pagar", explicou Arménio Carlos.

 

Administração continua a recusar diálogo com os estivadores

Da parte da Associação dos Agentes de Navegação de Portugal, António Belmar da Costa disse à agência Lusa que a nova lei, muito contestada pelos estivadores, permite este regime de precarização total do trabalho portuário, ao redefinir os seus limites. "Se os estivadores entendem que há violações da lei, devem recorrer aos mecanismos legais", desafiou, atribuindo aos trabalhadores os prejuízos causados por esta greve parcial.

Depois de proporem várias datas para reunir com os operadores, a resposta ao sindicato foi que "as empresas dizem que não reúnem debaixo de pré-avisos de greve", afirmou António Mariano, acrescentando que “está aqui criado um círculo vicioso”, porque os trabalhadores “não podem estar a trabalhar normalmente quando há elementos estranhos a trabalhar no meio das operações, com todos os riscos que isso tem para a atividade dos estivadores”.

Respondendo às acusações da AGEPOR, o sindicalista concluiu que “se há prejuízos, é porque o Porto de Lisboa não tem os trabalhadores suficientes para poder operar”.

Solidariedade com os estivadores precários

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