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Egito: MNE francês pede libertação de Morsi

Depois de um fim de semana sangrento, os apoiantes do presidente deposto organizam nova manifestação esta terça-feira. A chefe da diplomacia europeia, que procura mediar o conflito, encontrou-se com Mohamed Morsi, enquanto a França reclama a sua libertação imediata.
Catherine Ashton e Mohamed Morsi voltaram a encontrar-se esta terça-feira em circunstâncias bem diferentes do encontro do mês passado (na foto). Foto European External Action Service/Flickr

Catherine Ashton foi ao Cairo para se encontrar com os autores do golpe que depôs Morsi e com o próprio presidente eleito, atualmente sob detenção em local desconhecido. "Tivemos uma discussão aberta, franca e muito amigável", disse a chefe da diplomacia da União Europeia, acrescentando que Mohamed Morsi está a par do que se está a passar no Egito. 

O golpe do início de julho liderado pelo exército levou a uma onda de contestação por parte da Irmandade Muçulmana, que venceu nas urnas e elegeu Morsi presidente. Os confrontos entre o exército e os manifestantes já fizeram mais de 300 mortos e a repressão da manifestação no último fim-de-semana terá causado mais de 80 mortos. Para esta terça-feira está marcada outra manifestação no Cairo pela reposição da legitimidade constitucional.

Pela primeira vez desde o golpe, a diplomacia francesa exigiu "a libertação de todos os presos políticos, nomeadamente do antigo presidente Morsi". Segundo o Le Monde, Laurent Fabius explicou que a França não classificou a situação como um golpe de Estado, uma vez que isso implicaria o corte da ajuda internacional. "Este não é o momento de tornar ainda mais difícil a situação económica" do país, acrescentou Fabius, citado pelo Le Monde.

Entretanto, o governo interino está a ser acusado de querer voltar aos tempos de Mubarak, após o ministro do Interior ter anunciado o regresso do Serviço Nacional de Segurança - a polícia política do anterior regime. A ativista dos direitos humanos Aida Seif el-Dawla disse ao diário britânico Guardian que as brigadas do SSN "cometeram as violações de direitos humanos mais atrozes", incluindo execuções extrajudiciais dos opositores islamistas, crimes que ficaram impunes após a Revolução.

Para Heba Morayef, dirigente da Human Rights Watch, nada mudou a não ser o nome da polícia, embora seja significativo que o seu regresso possa ser anunciado publicamente. "Isto seria impensável em 2011", acrescentou Heba Morayef.

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