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Espanha: Duas balizas de 14 mil euros podiam ter evitado acidente ferroviário

Mesmo sem o sistema de segurança de alta velocidade – que não está instalado no troço da linha onde ocorreu o acidente – duas balizas e a correta configuração do sistema teriam levado à travagem automática do comboio.
Correta configuração do sistema ASFA, de segurança, teria provocado a travagem automática do comboio.

Técnicos ferroviários consultados pelo Publico.es insistem que o acidente do comboio na curva da Grandeira, em Santiago de Compostela, deveu-se a vários fatores e não só ao alegado erro humano do maquinista.

De facto, um equipamento que custa 14.092,79 euros poderia ter evitado o acidente. É este o preço de uma das balizas de sinalização das vias férreas espanholas e a instalação de dois destes equipamentos antes da curva da Grandeira, onde descarrilou o comboio na passada quarta-feira, poderia ter evitado o acidente.

Duas utilizações e dois sistemas de segurança

Ouvido pelo site informativo espanhol, o técnico ferroviário José Moreno afirmou que o traçado da via na zona de Angrois, a três quilómetros da estação de Santiago, apresenta características peculiares dentro da rede espanhola por ter parâmetros de alta velocidade mas não dispor de largura de bitola de via AVE (alta velocidade), tendo a bitola da Renfe. E por circularem nela comboios de alta velocidade e convencionais. Para piorar, nessa linha ocorre também uma transição entre dois sistemas de segurança: o ERTMS [European Rail Traffic Managemegent System], que opera nas linhas de alta velocidade, e o ASFA Digital [Aviso de Sinais e Freado Automático] das linhas convencionais.

Assim, explica o técnico, o ERTMS, "que envia ordens ao comboio e atua sobre ele, em função da sinalização que recebe, quanto à velocidade a que deve circular na cada momento", está instalado no trecho de alta velocidade que começa a três quilómetros da estação de Ourense e termina uns oito quilómetros antes de chegar à estação de Santiago. Isto é, pouco antes da curva do acidente, o comboio começa a funcionar com outro sistema, o ASFA Digital.

Outras fontes consultadas pelo Público.es afirmam que "não se pode deixar um salto de 200 quilómetros por hora a 80 ao livre arbítrio de um maquinista". "Se tudo dependesse do maquinista, que não está livre de sofrer um enfarto, por exemplo, continuaríamos no século XIX", afirma um engenheiro que preferiu não se identificar. "Nestes casos, é obrigatório que a sinalização force a escalonar a velocidade", acrescenta.

Duas balizas evitavam o acidente

"Uma correta configuração da sinalização convencional teria permitido que o excesso de velocidade não se tivesse produzido", assegura o técnico. "Com a instalação de duas balizas – uma delas de pré-aviso – antes dessa curva, ter-se-ia enviado um aviso ao maquinista para que reduzisse a velocidade", assegura um dos experientes. "E, no caso de o maquinista não responder, o ASFA teria travado o comboio automaticamente", acrescenta.

Por outro lado, os experientes consultados recordam que, justamente na curva da Grandeira, a via destinada à alta velocidade utiliza o traçado antigo, o convencional de Renfe. E isso, possivelmente, porque se quiseram evitar expropriações e o atraso consequente na exploração da linha.

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