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Milionários querem acordo PSD-CDS-PS

Dois manifestos fazem apelo dramático a favor do entendimento promovido pelo PR. Num deles, destacam-se como signatários administradores do grupo Mello e Alexandre Relvas, ex-diretor de campanha de Cavaco Silva. O outro é assinado por confederações patronais e UGT.
Alexandre Relvas é um dos promotores da chamada "salvação nacional"

Dois manifestos a favor do acordo tripartido PSD-CDS-PS foram esta quinta-feira tornados públicos. Ambos chamam a atenção por terem como signatários individuais alguns dos milionários e empresários mais poderosos do país e três confederações patronais, junto com a UGT.

Os dois dramáticos apelos ao entendimento não escondem ao que vêm, sendo que o primeiro é o mais claro e concreto nos objetivos que defende.

Avançar no mesmo curso que provocou um “rasto de sofrimento”

Diz o manifesto que defende que o PS e a maioria de direita se entendam que dois anos das medidas do Memorando “provocaram, como não poderiam deixar de provocar, um rasto de sofrimento (de que o desemprego constitui o exemplo maior)”. Mas os signatários, onde se destacam os empresários e administradores ligados ao Grupo Mello, deixam bem claro que querem a continuidade dos sacrifícios, sem qualquer alteração: “O tempo não é de recuar mas de avançar, de forma concertada, cumprindo a nossa parte, enquanto a União Europeia não cumpre, também ela, a sua própria parte no processo de refundação da Área do Euro”, dizem, mesmo reconhecendo que há objetivos que “só foram parcialmente alcançados”, nomeadamente em matéria de finanças públicas.

Os autores do manifesto apoiam as três condições para o chamado “acordo de salvação nacional” apresentadas pelo Presidente da República e afirmam que o risco é o de o acordo fracassar.

Grupo Mello muito representado nos signatários

Assinam este manifesto Vasco de Mello (presidente do grupo José de Mello, SGPS), Salvador de Mello (da comissão executiva do mesmo grupo), José Manuel Morais Cabral (administrador da José de Mello Imobiliária, Efacec, CUF e outras empresas), Alexandre Relvas (ex-diretor de campanha de Cavaco Silva à Presidência e administrador da Logoplaste), Francisco Van Zeller (ex-presidente da CIP), Rui Horta e Costa (administrador financeiro da EDP), João Melo Franco (ex-presidente do Conselho de Administração da José de Mello Imobiliária de 2001 a 2004 e administrador de outras empresas do mesmo grupo, atualmente com cargos na Portugal Telecom, EDP Renováveis).

UGT junta-se a confederações patronais

O outro manifesto pró-acordo é assinado pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), pela Confederação do Turismo Português (CTP) e pela União Geral de Trabalhadores . Evitando mencionar a política de austeridade, o texto fica-se por fórmulas gerais, como a defesa de “um entendimento célere, consistente e realista, que forneça um enquadramento mobilizador aos agentes económicos e sociais e que dê esperança aos que mais sofrem”.

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