Grécia: Governo aprova despedimento de milhares de funcionários públicos

18 de July 2013 - 10:08

O governo de coligação grego aprovou, esta quarta feira, um novo pacote de austeridade que prevê o despedimento de milhares de funcionários públicos. Horas antes, António Samaras, numa tentativa de refrear os protestos, anunciou a redução do IVA da restauração. "Nós não vamos sucumbir, a única opção é resistir", gritaram milhares de manifestantes em frente ao parlamento helénico, sublinhando que chegou a "hora da esquerda".

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Após a meia noite de quarta feira, 153 dos 293 deputados presentes no parlamento helénico votaram a favor de um novo pacote de austeridade que estipula o despedimento de milhares de funcionários da função pública mediante rescisões imediatas ou a passagem destes profissionais para o regime de mobilidade especial.

Milhares de gregos concentraram-se em frente ao parlamento, em protesto contra a medida, exigida pela troika como contrapartida do desbloqueamento da nova tranche de financiamento externo no valor de cerca de 7 mil milhões de euros.

Durante a passada semana, o despedimento massivo que afetará mais de 25 mil funcionários públicos, na sua maioria professores e polícias municipais, motivou inúmeras ações de luta, entre as quais manifestações, rallies e greves.

Antes da votação, o primeiro ministro grego, que, no mês passado, sofreu um importante revés, ao ser confrontado com a saída do governo de um dos seus parceiros de coligação, o Dimar, anunciou a redução do IVA do setor da restauração de 23% para 13%.

Antonio Samaras tentou, desta forma, refrear os protestos e acalmar a opinião pública, que lhe é cada vez mais hostil, e convencer os gregos de que existe uma luz ao fim do túnel, ainda que seja cada vez mais evidente que a austeridade só poderá conduzir o país para o abismo.

A medida, que terá efeito a partir de 1 de agosto, visa, segundo Antonio Samaras, contribuir para o combate à evasão fiscal que assola o país. Caso a mesma não produza os efeitos desejados, será anulada, sendo novamente aplicada a taxa de 23%, alertou o primeiro ministro helénico.

Entretanto, teve início a primeira visita ao país desde o estalar da crise, em 2009, do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schaeuble. As autoridades proibiram qualquer tipo de manifestação ou ação de protesto no percurso que irá ser percorrido pela comitiva alemã.

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