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Snowden pode causar maior dano da história dos EUA

O antigo colaborador da CIA Edward Snowden tem na sua posse “informação suficiente para causar mais danos ao Governo norte-americano num minuto do que qualquer outra pessoa na História dos Estados Unidos”, afirmou o jornalista do The Guardian Glenn Greenwald, autor das primeiras revelações sobre a espionagem norte-americana.

O antigo colaborador da CIA Edward Snowden tem em sua posse “informação suficiente para causar mais danos ao Governo norte-americano num minuto do que qualquer outra pessoa na História dos Estados Unidos”, afirmou Glenn Greenwald, jornalista do The Guardian, responsável pelas primeiras revelações sobre a espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA).

Numa entrevista realizada no Rio de Janeiro, e publicada no sábado pelo jornal argentino La Nación, Greenwald afirma que a administração norte-americana "devia rezar todo o dia, implorando para que nada aconteça a Snowden. Pois se algo chegar a acontecer, todas as informações serão reveladas, e isso talvez seja o pior pesadelo” para Washington.

Questionado sobre se teme que Edward Snowden seja assassinado, o jornalista norte-americano admite que "é uma possibilidade", embora afirme que isso "não trará muitos benefícios para ninguém nesta altura".

"Ele já distribuiu milhares de documentos e assegurou que várias pessoas em todo o mundo têm o seu arquivo completo. Se lhe acontecer alguma coisa, esses documentos serão tornados públicos. Esse é o seu seguro de sáude", afirma Glenn Greenwald, que tem feito a maioria das notícias sobre os programas de espionagem dos EUA e garante manter contacto regular com Snowden.

Os documentos, mantidos em diferentes esconderijos, descrevem pormenorizadamente a operacionalização e funcionamento dos programas de vigilância, garante o jornalista.

“Uma forma de intercetar as comunicações é através de uma companhia telefônica nos Estados Unidos que tem contratos com empresas de telecomunicações na maioria dos países latino-americanos", exemplificou Greenwald, sem referir o nome da companhia em questão.

No entanto, o facto de Snowden deter “uma enorme quantidade de documentos que seriam muito prejudiciais para o Governo dos Estados Unidos, se fossem tornados públicos", não significa que seja esse o seu objetivo, defende Greenwald: "O objetivo dele é revelar a existência de programas informáticos utilizados por pessoas em todo o mundo, sem saberem a quem se estão a expor e sem terem aceitado conscientemente ceder os seus direitos de privacidade."

Esta entrevista do jornalista do The Guardian causou mais uma polémica.

Vários jornalistas e analistas políticos dos EUA acusam-no de estar a ameaçar a administração americana, no entanto, Greenwald descreve a atitude como “um esforço absurdo para desviar a atenção das revelações sobre a NSA”.

"Quando ele nos passou os documentos, insistiu várias vezes que exercêssemos um rigoroso juízo jornalístico sobre os documentos que devem ser publicados em nome do interesse público e os que devem ser mantidos em segredo, porque a gravidade da sua revelação ultrapassa o interesse público. Se a intenção dele fosse prejudicar os EUA, poderia ter vendido todos os documentos por muito dinheiro, podia tê-los publicado indiscriminadamente ou podia tê-los passado a um adversário estrangeiro. E ele não fez nada disso", argumenta o jornalista.

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