You are here

Bloco em Lisboa: Habitação, transportes públicos e criar um programa de resposta à pobreza

João Semedo, candidato do Bloco à Câmara da capital, defendeu como principais objetivos do programa bloquista facilitar o acesso à habitação, reforçar o papel da autarquia na gestão dos transportes públicos e criar um programa de resposta à pobreza. Semedo exortou ainda António Costa, a revelar um relatório sobre obras públicas municipais, confessando-se "chocado" por ver um democrata de esquerda a recorrer a "expedientes".
João Semedo exortou também o presidente da Câmara de Lisboa, a divulgar o relatório sobre obras públicas municipais, "o mais rapidamente possível, antes de acabar o mandato, porque a transparência é a melhor forma de combater os interesses instalados, os interesses que vivem da corrupção, o amiguismo, o compadrio nas decisões de interesse público"

No encerramento do debate sobre o programa eleitoral autárquico do Bloco de Esquerda para Lisboa, João Semedo afirmou que, para o partido, ganhar “significa recuperar o vereador do Bloco na Câmara Municipal de Lisboa” e frisou: “Não iludimos ninguém, nem nos iludimos, nós disputamos este objetivo, travamos esta batalha com este objetivo, não vamos andar por Lisboa a dizer que vamos ganhar a Câmara".

João Semedo apontou como primeira prioridade melhorar o acesso à habitação na capital. "O nosso grande objetivo é ter mais gente a viver em Lisboa, a viver na sua casa ou numa casa arrendada, mas seguramente a mais baixo preço do que hoje é possível, uma cidade em que seja mais fácil aceder a uma casa".

O coordenador do Bloco afirmou que a segunda prioridade do partido é reforçar o papel da autarquia na gestão da rede de transportes públicos e defendeu a criação de uma "empresa mista, de capitais do Estado e da Câmara".

Em terceiro lugar, Semedo propôs a criação de um programa "que concretize mais ajuda contra a solidão, a pobreza e que responda às principais dificuldades que as pessoas sentem nesta hora de emergência social".

Segundo a Lusa, Semedo defendeu ainda a necessidade de "encontrar um equilíbrio entre duas Lisboas", a vida "mais próxima, mais íntima, mais comunitária dos bairros tradicionais e ao mesmo tempo a Lisboa mais moderna, mais cosmopolita, mais movimentada, mais mexida, mais intensa, mais dinâmica". "Temos de ter estas duas Lisboas e temos de saber de que infraestruturas precisamos para que uma e outra possam existir, sem que uma atropele a outra e sem que uma prejudique a outra", realçou o deputado.

Sobre a agregação de freguesias, o candidato do Bloco disse que esta mudança deve ser "uma oportunidade para se criar mais descentralização, mais desconcentração, mais proximidade na prestação de serviços camarários".

João Semedo exortou também o presidente da Câmara de Lisboa, a divulgar o relatório sobre obras públicas municipais, "o mais rapidamente possível, antes de acabar o mandato, porque a transparência é a melhor forma de combater os interesses instalados, os interesses que vivem da corrupção, o amiguismo, o compadrio nas decisões de interesse público".

E criticou: "Há uns anos um vereador da CML [Nunes da Silva] fez um trabalho exaustivo sobre o regime de adjudicação das obras públicas municipais, há um relatório sobre isso, mudanças nas metodologias para a adjudicação dessas obras. Até hoje, tirando alguns vereadores e o presidente, ninguém conhece o que diz esse relatório".

Frisando que o Bloco já "requereu sucessivas vezes esse relatório", João Semedo afirmou: "Conhecemos outros autarcas que recorrem a estes estratagemas e expedientes para não cumprir decisões judiciais, não cito nomes porque eles são conhecidos. Mas ficamos chocados quando vemos António Costa recorrer aos mesmos expedientes, parece-nos que a ocultação do que está nesse relatório, que incide sobre adjudicações por ajustes diretos e pagamentos sucessivos pelas chamadas obras a mais não ajuda nada a combater aqueles que beneficiam de regimes de favor".

Semedo disse ainda ser preciso "mais democracia, mais transparência e mais esquerda na CML", porque "as maiorias absolutas viciam os seus titulares porque os impregnam de autossuficiência e até de autoritarismo" e criticou o caso da Horta do Monte e a "violência policial" desnecessária.

"Havia alguma necessidade de fazer aquela intervenção policial da forma como foi feita? Algum de nós pensaria que algum vereador do PS se lembraria de terminar um processo como o da Horta do Monte desta forma? Eu não esperava, não deixei de ficar surpreendido quando me telefonaram a contar. As maiorias absolutas empurram até democratas de esquerda para prepotência e autoritarismo", frisou o candidato do Bloco à Câmara da capital.

Termos relacionados Autárquicas 2013, Política
Comentários (1)