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O verão do nosso descontentamento

A última “oferta de Verão” de Vítor Gaspar foi a de obrigar o Fundo de Reserva da Segurança Social a comprar dívida pública nacional para além do limite até agora estabelecido (55%). Aumentando o limite para 90% expõe o dinheiro que é património dos reformados aos “jogos de casino”.

É precisamente esta, a altura em que iríamos, com netos e/ou filhos, com amigos, para um qualquer local aprazível, gozar de uns dias amenos, na praia ou no campo, conforme o gosto e a disponibilidade económica de cada um. Dirão talvez, que os reformados o poderão fazer noutras alturas, com menor confusão e talvez até menos dispendioso. É verdade. Mas os reformados, para além dos familiares que não podem tirar férias propriamente quando querem, também têm amigos com que gostam de partilhar as férias de Verão e que estão ainda no ativo.

Mas acontece, precisamente, o contrário. Nem se pode avançar no sonho de fazer um passeio mais audacioso no Verão. Subsídio de férias… só em Novembro. Para ser “simpático” o governo “disponibilizou” algum dinheiro para os valores a que não chamaremos de reformas, mas, apenas, “subsídios de sobrevivência”. Porque a maior das vezes serve para pagar, nesta altura, outras despesas já efetuadas, principalmente na Saúde, como o demonstra o relatório apresentado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde.

Temos sobre nós uma nuvem negra e pesada de Inverno rigoroso, quando estamos num Verão quente e radioso.

Para quem trabalhou anos a fio para este País não merece este tratamento!

E a “cereja no topo do bolo”, (fruto tão apetecível, bem fresquinho, nesta altura) foi a última “oferta de Verão” que o Gaspar nos deixou decretada, que foi a de obrigar o Fundo de Reserva da Segurança Social a comprar dívida pública nacional para além do limite até agora estabelecido (55%). Esse limite funciona como garante de segurança do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

Por outras palavras, aumentando o limite para 90%, que foi o agora decretado, expõe o dinheiro que “é nosso”, que é património dos reformados aos “jogos de casino”.

Assim sendo, não cabe ao Estado dispor do nosso património, porque apenas seria fiel depositante e gestor do mesmo, se fosse Pessoa de Bem.

Com a desculpa da crise o Fundo da Segurança Social tem sido desbaratado, das mais diversas e ardilosas formas. Um exemplo, entre outros, o pagamento de salários a trabalhadores contratados sem qualquer encargo para as entidades patronais, em ordenado e sem descontos, e a garantia de trabalho mais do que precária.

A Reforma do Estado, que deveria estar a ser feita com conta peso e medida, e com o apoio dos financiamentos que entram no País, é apenas feita à custa dos ordenados e do desemprego dos funcionários públicos e do “nosso património”! Tais financiamentos entram, diretamente, para os cofres dos Bancos, suportando o seus financiamentos, os ordenados chorudos de diretores e afins, bem como das reformas chorudas que estes recebem, sem terem efetuado os descontos estabelecidos por lei para qualquer trabalhador.

Atenção amiga(o)s, estamos reformados, não estamos, conformados e, muito menos, vencidos! A nós o que é nosso! De pé, como as árvores!

Sobre o/a autor(a)

Reformada. Tradutora e Assistente no Depto. Médico duma multinacional americana da indústria e comércio farmacêuticos. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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