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Cavaco não apresenta nenhuma solução para a crise

Cavaco Silva traçou um cenário negro da realização de eleições antecipadas, propôs “compromisso de salvação nacional” entre PSD, PS e CDS para aplicar o memorando da troika e a realização de eleições depois de junho de 2014. O coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, acusa Cavaco Silva de querer "tutelar a democracia, o Governo e um futuro ciclo eleitoral", afirma que o PR não apresenta nenhuma solução para a crise e frisa que “qualquer compromisso que tenha por eixo a política de austeridade está destinado ao fracasso”.
Foto de Pedro Nunes/Lusa

João Semedo, comentando a comunicação do Presidente da República, considerou que Cavaco Silva “resignou-se à vontade da troika, dos patrões e dos partidos de direita” e com o “cenário negro” que traçou sobre eleições antecipadas revela a sua falta de confiança no funcionamento da democracia. (Pode aceder neste link à declaração de João Semedo)

"O Presidente Cavaco Silva, nesta sua intervenção, ao reconhecer a fragilidade desta maioria e desta coligação, teria uma fortíssima razão não para procurar tutelar a democracia e o regime político português, tutelando quer um futuro e um imaginário governo, quer um próximo ato eleitoral, mas sim simplesmente convocar eleições antecipadas", salientou o coordenador do Bloco.

João Semedo alertou ainda: "Este apelo ao PS contraria tudo aquilo que temos ouvido a direção do PS dizer, não acredito que o PS, que tem vindo a sublinhar a sua política de oposição a esta maioria, venha agora dar a mão a uma maioria que está caduca e decadente".

O Presidente da República, na comunicação ao país, afirmou:

"No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente crise política mostrou, à vista de todos, que o país necessita urgentemente de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o memorando de entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional, PSD, PS e CDS".

Cavaco Silva diz que irá “contactar de imediato os responsáveis dos partidos” que subscreveram o memorando da troika para analisar a proposta que apresenta.

Para o compromisso que propõe, Cavaco Silva aponta três pilares: Primeiro, estabelecimento do "calendário mais adequado para a realização de eleições antecipadas", devendo "a abertura do processo conducente à realização de eleições (...) coincidir com o final do Programa de Assistência Financeira, em junho do próximo ano".

Segundo, envolver os três partidos que subscreveram o memorando da troika para garantir “o apoio à tomada das medidas necessárias para que Portugal possa regressar aos mercados logo no início de 2014 e para que se complete com sucesso o programa de ajustamento".

Em terceiro lugar, Cavaco propõe “um acordo de médio prazo” que assegure "desde já que o Governo que resulte das próximas eleições poderá contar com um compromisso entre os três partidos que assegure a governabilidade do País, a sustentabilidade da dívida pública, o controlo das contas externas, a melhoria da competitividade da nossa economia e a criação de emprego".

Cavaco Silva disse também que o atual Governo está em "plenitude de funções" e nunca se referiu explicitamente à solução apresentada publicamente por Passos Coelho, no sábado, e que passava pela subida do líder do CDS-PP e ministro demissionário dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a vice primeiro-ministro.

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