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“Governo não quer dar ao povo a oportunidade de avaliar a política que nos trouxe até aqui”

A coordenadora nacional do Bloco, Catarina Martins, acusou o Governo de “fugir de eleições”, salientando que “a política de austeridade é uma política de destruição económica de tal forma violenta que não pode senão querer destruir a democracia”.

Durante a sessão de apresentação das candidaturas autárquicas de Lafões, que teve lugar esta terça feira, em São Pedro do Sul, a dirigente bloquista acusou o Governo de ter medo da democracia.

“Quem fala na necessidade de haver estabilidade quer, na realidade, fugir de eleições, porque não quer dar ao povo a oportunidade de avaliar a política que nos trouxe até aqui”, frisou Catarina Martins, sublinhando que “é por isso que o Governo alemão é o primeiro a dizer que quer esta falsa estabilidade”. “Porque a Alemanha tem ganho e muito com a crise na periferia do Euro e tem ganho e muito com os juros cobrados aos países do Sul da Europa”, acrescentou.

Segundo a deputada do Bloco, “Eurogrupo, FMI e BCE fazem parte desta engenharia social de destruição que está a comprimir as conquistas de gerações, de lutas de quem trabalha, de lutas da democracia, para fazer uma gigantesca transferência de rendimentos do trabalho para o capital”.

Catarina Martins referiu-se ainda ao relatório emitido pelo JP Morgan, que defende que as constituições antifascistas da periferia do Euro são um empecilho porque oferecem garantias aos cidadãos, sublinhando que “a política de austeridade é uma política de destruição económica de tal forma violenta que não pode senão querer destruir a democracia”.

“O caminho que a direita impõe não é um caminho, é um abismo”

 Para a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, o que “está em causa é todo o programa político e económico para o país que arrasa a economia, que cria uma crise social sem precedentes”. “ A cada corte que aceitámos, a economia ficou pior, a dívida aumentou, o défice descontrolou-se e exigiram-nos um novo corte”, salientou, defendendo que “o caminho que a direita impõe não é um caminho, é um abismo”.

“É preciso perder o medo para recusar a chantagem da dívida pública, é preciso dizer basta a uma finança de casino que andou a jogar com as dívidas soberanas dos países. É preciso renegociar a divida para montantes, para juros e para prazos decentes”, continuou a dirigente bloquista, reforçando a ideia de que o Bloco está disponível para integrar um Governo de esquerda que diga não ao memorando da Troika.

"O Presidente da República tem de demitir este Governo”

“O Presidente da República não pode ser o garante do Governo. Isso é a deturpação da sua missão e da democracia", sublinhou Catarina Martins à saída de uma reunião com a direção da ACERT, em Tondela, que teve lugar durante a tarde.

Para a líder bloquista é inaceitável que Cavaco Silva não tenha nada a dizer e que "seja o Governo alemão a dar posse a um novo executivo governamental".

"Assistimos a um triste espetáculo em que as entidades internacionais assumem um Governo, com uma remodelação que os portugueses ainda não conhecem", acrescentou, apelando a que se respeitem as instituições e a democracia.

"Face ao espetáculo degradante a que os governantes sujeitaram o país nos últimos dias”, é imperativo “que se convoquem eleições para que se retome a legitimidade do Governo", reiterou.

Esta terça feira foram apresentadas as candidaturas de José Oliveira Barata à Assembleia Municipal (AM) de Oliveira de Frades, que conta com Celso Cruzeiro como mandatário, de Rui Costa à AM de São Pedro do Sul, com Manuel dos Santos como mandatário, e de Alexandra Bica à AM Vouzela, com Pedro Soares como mandatário.

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