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Enfermeiros esperam adesão massiva à greve

Os enfermeiros iniciam amanhã, terça-feira, uma greve de dois dias, em protestos contra a degradação das condições de trabalho. Guadalupe Simões, dirigente do SEP, espera uma adesão massiva à greve. No dia 10, quarta-feira, realizam uma concentração em frente ao Ministério da Saúde.
Foto de Paulete Matos

Em declarações à agência Lusa, a dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Guadalupe Simões, explicou que a greve marcada para terça e quarta-feira vai afetar vários serviços em hospitais e centros de saúde.

“Esperamos uma adesão à greve massiva, o que irá causar vários transtornos nos serviços nomeadamente nas consultas externas, cirurgias e nos centros de saúde”, adiantou, salientando que o “descontentamento e a revolta dos enfermeiros são generalizados devido à degradação das condições de trabalho”.

Guadalupe Simões afirmou que o sindicato decidiu avançar com dois dias de greve, que inclui uma concentração na quarta-feira às 11horas, dia 10 de julho, junto ao Ministério da Saúde, porque o ministro Paulo Macedo se comprometeu a agendar uma reunião com os enfermeiros para discutir matérias urgentes e não cumpriu.

“O ministro comprometeu-se a agendar uma reunião entre o dia 17 e 25 de junho para abordar matérias que estão inseridas dentro de um caderno reivindicativo. Como a reunião não se concretizou não nos deixaram outra hipótese senão levar a cabo a greve terça e quarta-feira”, sublinhou.

Guadalupe Simões explicou que os profissionais protestam contra o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais sem remuneração e os cortes no setor da saúde, que permitem que existam enfermeiros a ganhar 3,4 euros/hora, e a situação dos profissionais a Contrato Individual de Trabalho.

“O Ministério da Saúde empurrou-nos para esta greve sabendo da importância das matérias que precisavam ser abordadas. Não agendou a reunião apesar dos nossos contactos diários”, disse a dirigente.

O SEP publicou nos jornais diários de hoje uma carta aberta aos utentes alertando para as consequências da política do Governo nos hospitais e centros de saúde e para dar conta dos motivos que levaram os enfermeiros a marcar a greve.

“A carta (…) tem por objetivo não só alertar os utentes para a degradação dos cuidados de saúde, contrariamente ao que diz o ministro, que apesar dos cortes se mantém a qualidade, mas também para dar conta da diminuição das condições de trabalho dos enfermeiros que põe em causa a segurança de profissionais e das pessoas”, defendeu.

De acordo com o sindicato, os enfermeiros são uma profissão de risco como a dos mineiros.

“A profissão de enfermagem está associada a um desgaste muito grande. As condições em que trabalham fazem aumentar as doenças associadas ao risco da profissão como as infetocontagiosas, doenças articulares e musculares e cancro do estômago”, disse.

Por outro lado, referiu Guadalupe Simões, estes profissionais estão sujeitos a uma sobrecarga de trabalho muito grande.

“Hoje temos serviços que nos turnos da noite e da tarde apenas funcionam com um enfermeiro”, disse.

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