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A Universidade de Verão da Esquerda Europeia reivindica uma mudança radical do BCE

Uma das principais oficinas da segunda jornada da Universidade de Verão do Partido da Esquerda Europeia foi dedicada ao debate do novo papel do Banco Central Europeu e do setor público bancário no financiamento da economia. Por Alfredo Majariegos e Gema Delgado
Andrej Hunko, do Die Linke, mostrou a ausência total de democracia nos mecanismos de controlo e de funcionamento do BCE

José Gusmão, do Bloco de Esquerda, referiu-se à necessária distinção entre a política monetária, demasiado agressiva por parte do BCE, e a política fiscal, demasiado fraca. Explicou, também, que o problema fundamental da dívida é que esta foi transferida do setor privado bancário para os cofres públicos.

Gusmão desmentiu os tópicos que alimentam as forças políticas e mediáticas do neoliberalismo, como o discurso de que a falta de pagamento da dívida suporia a ruína económica do resto dos governos da União Europeia. “É preciso desterrar a ideia de que o Banco Central Europeu deve operar como qualquer entidade financeira privada” quando o seu papel, disse, deveria ser o de ocupar-se unicamente do crescimento e desenvolvimento dos países membros, assim como atacar o problema do desemprego.

Como propostas reivindicativas da esquerda apontou a reestruturação da dívida, a mudança radical do ponto de vista institucional da Zona Euro, com a consequente mudança da política económica e monetária que implica, além da nacionalização da dívida.

Da Finlândia, Antti Rokainen perguntou-se por que não se presta maior atenção à dívida privada das entidades financeiras e hipotecárias. Também argumentou que ao tratar-se de uma agressão claramente contra a classe operária europeia, o contra-ataque da classe operária, defendendo-se de tal agressão, deve ser feito de maneira conjunta, à escala europeia.

Outro dos pontos chave para resolver o problema da dívida seria que o BCE financiasse diretamente os estados em vez de fazê-lo enriquecendo as entidades financeiras privadas. Foi Andrej Hunko, do Die Linke, que abriu o debate sobre o tema, mostrando a ausência total de democracia nos mecanismos de controlo e de funcionamento do BCE. Hunko estendeu essa falta de democracia às estruturas da União Europeia no seu conjunto. Apontou também a “curiosa e paradigmática” falta de debate que existe na Alemanha em torno do papel e das políticas do BCE, apesar das manifestações de protesto realizadas recentemente.

Por sua parte, também do Bloco, Mariana Mortágua, falou da natureza paradigmática do Banco Central e das suas consequências estruturais. Concluiu que o problema assenta em que os defensores radicais do sistema neoliberal não aceitaram a essência verdadeira do dinheiro, como algo não neutro e plenamente integrado no sistema e se dedicam a forçar as situações para que as suas teorias encaixem na prática.

As outras oficinas do dia trataram sobre a privatização dos serviços públicos, a reconstrução produtiva da indústria, a agricultura e a pesca na Europa, as experiências das políticas municipais de indústria, agricultura e pesca na Europa, a privatização da água, as técnicas de política de comunicação, Transform! Europe como laboratório de esquerda, as mulheres e a esquerda, e o populismo e a extrema-direita, entre outros.

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