EUA: Manifestações contra programas de vigilância da NSA

05 de July 2013 - 15:28

Manifestantes desfilam em nome da defesa da Quarta Emenda da Constituição dos EUA, sob lemas como “Recuso-me a sacrificar a minha liberdade por segurança”, em mais de 50 cidades dos EUA.

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Manifestantes ironizam lema de Obama "Yes we can". Foto de Alex Fitzpatrick

Os Estados Unidos viveram ontem uma jornada de protestos em dezenas de cidades contra programas de vigilância maciça dos seus cidadãos, promovidos pela Agência Nacional de Segurança (NSA). Programas como o Prism, denunciados recentemente pelo ex-agente da CIA Edward Snowden, que dá acesso a e-mails pessoais e até às comunicações em chats ou telefones via IP, violam a Quarta Emenda dos Estados Unidos, que protege os cidadãos contra buscas que excedam o razoável e contra apreensões sem mandato.

As manifestações foram convocadas pelo movimento Restore the Fourth (Restaurar a Quarta), que considera ilegais os programas de vigilância da NSA e quer que sejam encerrados. Quando os cidadãs norte-americanos ficaram a saber da existência de programas que recolhiam e armazenavam dados sobre as suas conversas, e-mails, posts no Facebook, etc., não pareceram surpreendidos e uma maioria respondeu até a uma sondagem da Pew Research Center considerando aceitável a vigilância telefónica (56% a favor).

Legalizem a Constituição dos EUA”

Um mês depois, porém, esta é a primeira grande reação da cidadania em defesa das suas liberdades fundamentais e da Constituição.

Em São Francisco, os cerca de mil manifestantes levaram cartazes onde se lia: “Legalizem a Constituição dos EUA” e “Recuso-me a sacrificar a minha liberdade por segurança”.

Em Nova York, cerca de 300 pessoas fizeram uma manifestação de quase cinco quilómetros entre a Union Square south e o Federal Hall.

“A Quarta Emenda serve para proteger-nos, mas chega uma altura em que temos de agir para protegê-la”, disse Parker Higgins, da Electronic Frontier Foundation, citado pela CNN.

Além de S. Francisco e Nova York, houve manifestações em Los Angeles, Dallas, Washington DC e dezenas de outras cidades.