Evo Morales recomenda que Europa se liberte do "império norte-americano"

05 de July 2013 - 12:41

"Alguns países da Europa têm que se libertar do império norte americano. Não vão nos assustar porque somos um povo com dignidade e soberania", sublinhou Evo Morales. Mercosul e Unasur já condenaram o incidente e pedem explicações e pedido de desculpas a países que recusaram autorização de sobrevoo e aterragem do avião presidencial boliviano.

PARTILHAR
Foto EPA/HELMUT FOHRINGER.

Segundo o presidente boliviano,o incidente de que foi alvo foi "uma aberta provocação ao continente por parte do imperialismo norte-americano", acrescentando que "não estamos em tempos de impérios nem de colónias”. “É o tempo dos povos que resistem às invasões, aos saques dos nossos recursos naturais", frisou.

"Vi de perto como muitas potências se reúnem para planificar políticas que provocam a fome enquanto pensam em guerras. Essas políticas vão terminar, porque há um profundo sentimento pela libertação dos povos do mundo", avançou Evo Morales ao chegar ao aeroporto internacional da cidade de El Alto, na noite de quarta feira.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, David Choquehuanca, informou, entretanto, que o governo boliviano recebeu um pedido de extradição de Snowden, por parte dos Estados Unidos, caso o ex espião norte americano entre na Bolívia, e que essa solicitação foi devolvida a Washington com a indicação de que a mesma era "estranha, ilegal, infundada e sugestiva" e não cumpria com os requisitos internacionais.

Países do Mercosul expressam a sua “indignação e firme repúdio”

Num comunicado divulgado esta quinta feira, os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) expressam a sua “indignação e firme repúdio” à proibição por parte “de alguns países europeus” do sobrevoo e aterragem do avião presidencial de Evo Morales.

“Os atos hostis e injustificáveis” em relação ao presidente boliviano são “incompatíveis” com as práticas internacionais, com as normas de boa convivência entre nações soberanas e com o direito internacional, referem, sublinhando que “ainda mais grave, é terem colocado em sério risco a segurança do chefe de Estado boliviano e a sua comitiva”.

O incidente constituiu “uma grave ofensa”, não só para a Bolívia “mas também para todo o Mercosul”, avançam no documento, condenando “a retenção injustificada” de Evo Morales e manifestando o seu “pleno apoio e solidariedade” ao governo da Bolívia.

Os países do Mercosul “exigem” ainda um “rápido esclarecimento e as correspondentes desculpas” pelo ocorrido.

Membros da UNASUR exigem “desculpas públicas”

Os presidentes de seis países membros da UNASUR – União de Nações Sul Americanas também exigiram esta quinta feira à Espanha, França, Itália e Portugal que peçam “desculpas públicas” pelo incidente.

“O que fizeram ao Presidente Morales ofende não apenas o povo boliviano, mas todos os nossos países”, assinalam em comunicado.

ONU compreende “preocupações do governo da Bolívia”

Num comunicado da ONU, divulgado na quarta feira, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou "compreender as preocupações do governo da Bolívia".

Ban Ki-moon adiantou "estar aliviado por este infeliz incidente não ter tido consequências para a segurança do Presidente Morales e comitiva" e "pediu aos países implicados que debatam a questão, com total respeito pelos legítimos interesses em jogo".

Espanha recusa-se a pedir desculpas

Em entrevista à TVE, citada pela agência EFE, o ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, afirmou que Espanha tinha a informação de que Snowden se encontrava a bordo do avião de Evo Morales.

Questionado se tinha existido algum contacto entre responsáveis espanhóis e norte americanos, García-Margallo respondeu que isso “faz parte do segredo do sumário”.

O ministro frisou também que Evo Morales acabou por fazer uma escala de reabastecimento nas Canárias.