Egito: Exército derruba Morsi e suspende Constituição

03 de July 2013 - 23:37

Um golpe de Estado do exército egípcio derrubou o presidente Mohamed Morsi, suspendeu a Constituição, dissolveu o parlamento e nomeou para presidente interino Adly Mansour, presidente do Supremo Tribunal Constitucional. O anúncio da decisão foi feito num mensagem televisiva do chefe do exército, rodeado de líderes religiosos, jovens do movimento Tamarrod e Mohamed El Baradei. Os manifestantes da Praça Tahrir festejaram o derrube do presidente da Irmandade Muçulmana.

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O exército egípcio fez um golpe de Estado, após o fim do prazo do ultimato que tinha dado a Mohamed Morsi, para chegar a acordo com a oposição. Nesta quarta-feira, tanques ocuparam as ruas e pontes do Cairo.

Em mensagem televisiva ao país, Abdel Fatah al Sisi, chefe do exército, anunciou a suspensão da Constituição e a dissolução do parlamento, em que a Irmandade Muçulmana detinha a maioria absoluta. O chefe do exército encontrava-se rodeado por Ahmed al Taayeb, xeique da instituição islâmica Al Azhar, pelo papa da igreja copta, Teodoro II, pelo prémio Nobel da Paz, Mohamed El Baradei, e por jovens do movimento Tamarrod, que organizaram os protestos e lançaram uma petição contra Morsi.

O presidente interino, Adly Mansour tomará posse nesta quinta-feira, dirigirá um governo de gestão e de coligação, que irá preparar eleições presidenciais e legislativas. Será constituído um comité de especialistas para emendar os artigos mais polémicos da Constituição.

Morsi está refugiado numa mesquita do Cairo e impedido de sair do país, assim como as principais figuras da Irmandade Muçulmana. Morsi afirmou que “não aceitará nunca renunciar de forma humilhante à sua pátria, à sua legitimidade e à sua religião”, mas apelou aos membros da Irmandade que não lutem, apesar de, segundo ele, lhes terem “roubado a revolução” e garante que continua a ser o presidente do Egito.

Na praça Tahrir e junto ao palácio presidencial juntaram-se centenas de milhares de pessoas que festejaram o derrube de Morsi (como pode ver no vídeo em anexo). Foram feitos apelos ao julgamento de Morsi, acusado de ter mandado assassinar manifestantes durante o seu mandato. Exige-se também o julgamento dos dirigentes da Irmandade Muçulmana. No Cairo, foi lançado fogo de artifício para comemorar o derrube de Morsi.

El Baradei considerou que o derrube de Morsi e o roteiro político anunciado é um “passo para a reconciliação nacional”. “Espero que este plano seja o ponto de partida para um recomeço da revolução de 25 de janeiro”, afirmou Mohamed ElBaradei, em nome da Frente de Salvação Nacional, a principal coligação da oposição. O xeique Al Tayeb disse que esta ação poderá restabelecer “pontes” no povo egípcio e o papa da igreja copta, Teodoro II, afirmou que o plano anunciado foi aprovado para resolver uma situação “sem saída”.

O segundo partido islamista do Egito, Nour, também apoia o derrube de Morsi.

Morsi tentou à última hora responder ao ultimato das forças armadas emitindo um comunicado em que propunha um governo de unidade nacional. Mas a proposta chegou tarde e o exército ocupou com blindados e soldados as ruas do Cairo e cercou a praça onde se tinham juntado dezenas de milhares de apoiantes da Irmandade Muçulmana. O exército anunciou também o destacamento de forças para a Praça Tahrir e para junto do palácio presidencial, onde se juntaram os opositores de Morsi. Dizem os militares que o seu objetivo é proteger os manifestantes. O exército ocupou também a televisão pública.

Segundo o Al Arabiya, citado pelo “Público” de Espanha, nas últimas horas morreram 37 pessoas e 1.600 ficaram feridas.