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Edward Snowden retira pedido de asilo à Rússia

Decisão foi tomada depois de Putin dizer que a condição para ele ficar era “parar de prejudicar os EUA”. Numa declaração divulgada pela Wikileaks, Snowden acusa a Casa Branca de querer impedi-lo de exercer um direito básico, o de buscar asilo. Leia essa declaração na íntegra.
Snowden: "O objetivo é assustar, não eu, mas os que tentarem me ajudar". Imagem de Imaginary Museum Projects: News Tableaus

Edward Snowden retirou o pedido de asilo político feito segunda-feira ao governo da Rússia, depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter posto como condição para acolhê-lo que ele parasse de “trabalhar para prejudicar os Estados Unidos”.

Um porta-voz do governo russo confirmou que “ao saber ontem da posição da Rússia, ele abandonou as suas intenções e o seu pedido para ficar na Rússia.”

Snowden está no aeroporto de Moscovo desde o dia 23 de junho, quando aterrou vindo de Hong Kong. O ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA pediu já asilo político aos seguintes países: Áustria, Bolívia, Brasil, China, Cuba, Equador, Finlândia, França, Alemanha, Islândia, Índia, Itália, Irlanda, Holanda, Nicarágua, Noruega, Polónia, Rússia, Espanha, Suíça e Venezuela.

Maduro diz que Snowden merece a proteção do mundo

No segundo dia de uma visita à Rússia, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que “Edward Snowden é um corajoso jovem de 29 anos que não matou ninguém, não deu qualquer motivo para o início de uma guerra”, acrescentando que ele “merece a proteção do mundo” e que a Venezuela irá analisar o pedido de asilo logo que ele seja feito. “Pensamos que este jovem fez algo muito importante para a humanidade, disse grandes verdades para desconstruir um mundo... que é controlado por uma elite imperialista americana”.

Pelo menos dois países já disseram que não pretendem ajudar Snowden: a Polónia e a Finlândia.

Não é justiça a pena extralegal do exílio

Entretanto, em Moscovo, Snowden divulgou a seguinte declaração, que publicamos na íntegra:

Declaração de Edward Snowden, em Moscovo

Deixei Hong Kong há uma semana, depois que ficou claro que minha liberdade e a minha segurança estavam ameaçadas, por eu ter revelado a verdade. Permaneço em liberdade graças a esforços de antigos e novos amigos, da minha família e de outros que sequer conheço e provavelmente nunca conhecerei. Confiei a eles a minha própria vida, e eles retribuíram essa confiança, com fé em mim, pela qual serei sempre agradecido.

Na quinta-feira, o presidente Obama declarou, perante o mundo, que não permitiria “manobras e negociações” [orig. "wheeling and dealing"] com o meu caso. Mas agora já há notícias de que, apesar de ter prometido o que prometeu, o presidente ordenou ao vice-presidente que pressione os líderes das nações às quais pedi proteção, para que rejeitem os meus pedidos de asilo.

Esse tipo de falsidade, num líder mundial, não é justiça, nem é justiça a pena extralegal do exílio. São as mesmas velhas ferramentas da violência política. O objetivo delas é assustar, não eu, mas os que tentarem me ajudar.

Durante décadas, os EUA foram dos mais fortes defensores do direito humano de buscar asilo. Infelizmente, esse direito, declarado e aprovado pelos EUA no artigo 14 da Declaração Universal dos Direitos do Humanos, é agora negado pelo atual governo do meu país. O governo Obama adotou agora a estratégia de usar cidadãos, como armas. Apesar de eu não ser condenado por nenhum crime, os EUA revogaram unilateralmente meu passaporte, fazendo de mim apátrida. Sem qualquer ordem judicial, o governo dos EUA quer agora me impedir de exercer um direito básico. Um direito que é de todos: o direito de buscar asilo.

No fim, o governo Obama não tem medo de vigilantes como eu, Bradley Manning ou Thomas Drake. Somos homens sem pátria, prisioneiros ou impotentes. Não. O governo Obama tem medo de você. Tem medo de qualquer público bem informado e indignado, que exija que o governo Obama nos dê o governo constitucional que prometeu. Faz bem em temer todos os que ele teme.

Continuo firme nas minhas convicções e impressionado pelos esforços de tanta gente.

Edward Joseph Snowden

2ª-feira, 1/7/2013

Tradução do coletivo da Vila Vudu

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