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Obama e Barroso apressam acordo de comércio livre

As conversações sobre o acordo de comércio livre entre a União Europeia e os Estados Unidos começarão já no próximo mês em Washington, anunciaram Barack Obama e Durão Barroso na cimeira do Grupo dos Oito (G8) na Irlanda do Norte.
Foto retirada do site do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu.

“A relação entre os Estados Unidos e a União Europeia é a maior do mundo”, proclamou o presidente norte-americano ao anunciar a decisão que, segundo a generalidade das interpretações, surge num momento extremamente favorável à parte americana e muito mau para a parte europeia. O acordo servirá “para aprofundar esses laços”, acrescentou. Segundo Obama, o acordo proporcionará negócios anuais entre as duas partes, em bens e serviços, avaliados num bilião de dólares.  

O primeiro ministro britânico afiançou que um tal acordo poderá criar dois milhões de postos de trabalho, embora, tal como Obama, não tenha divulgado os dados em que baseou estes cálculos.

Barroso afirmou que se trata de uma operação de “importância estratégica”, sendo que “há três anos poucos apostaríamos em que hoje estaríamos em posição de lançar negociações” para um acordo “tão ambicioso”.

As questões polémicas que o anúncio destas negociações tem suscitado estiveram entre parêntesis na sessão de anúncio oficial. As agências noticiosas informam que Barroso terá dito ao presidente francês, François Hollande, que não chamou “reacionária” à França, apesar de ninguém ter dúvidas quanto a isso. O presidente da Comissão não se comprometeu quanto à exigência francesa de a área cultural não entrar no acordo e nada disse quanto ao facto de os Estados Unidos entrarem nas negociações já com a imposição de que os sectores bancário de energia não serão abrangidos.

Em relação a outros temas, verificou-se a inexistência de acordo entre o lado ocidental e a Rússia sobre a questão da Síria. Cameron e Vladimir Putin manifestaram-se de acordo em relação a uma hipotética realização em Genebra de negociações entre as várias facções envolvidas na guerra civil.

Moscovo afirmou, entretanto, que manterá o apoio ao governo de Damasco enquanto Estados Unidos, França e Reino Unido se pronunciaram a favor da extensão da guerra civil através do fornecimento directo de armas aos grupos rebeldes. Existiu uma ligeira divergência entre os dois lados do Atlântico. Obama não manifestou qualquer receio quanto ao destino que poderão levar as armas mesmo sabendo que no terreno, prontos a recebê-las, estão grupos fundamentalistas islâmicos associados à Al Qaida. França e Reino Unido declararam o receio de que as armas caiam em mãos de grupos fundamentalistas xiitas apoiados pelo Irão, como o Hezbollah. Tal como Obama, não revelaram preocupação com a entrega de armas a fundamentalistas sunitas como a Al Qaida, que aliás o exército de França combate no Mali, como apoio de Londres e Washington.

O tom agressivo usado na cimeira contra a Síria foi associado ao facto de ter havido, nas vésperas da reunião, uma nova denúncia de que Damasco utiliza armas químicas. Os estadistas presentes contornaram o outro lado da questão, a informação de que também grupos da oposição têm usado armas químicas, provavelmente de origem norte-americana, como se admite em Washington.

 


Notícia publicada no site do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu.

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