You are here

Governo turco prepara restrições às redes sociais

Polícia prende dezenas de pessoas individualmente e governo anuncia estudos para uma nova lei que restrinja o uso das redes sociais. Artista cria uma nova forma de protesto silencioso.
Dezenas de pessoas fizeram protestos silenciosos. Foto asiasilturk via Twitter

A Polícia turca realizou uma onda de detenções a alegados manifestantes esta terça-feira, prendendo individualmente pessoas nas suas casas ou locais de trabalho. Pelo menos 25 pessoas foram detidas em Ankara, 13 em Eskisehir, e "muitas" em Istambul, um dia depois das 500 detenções ocorridas na jornada de greve geral, segunda-feira. Uma fonte policial confirmou a operação acrescentando: "Por agora, só vão ser interrogados os provocadores".

Resistência silenciosa

Foi igualmente preso um homem que permaneceu seis horas imóvel e silencioso na praça Taksim de Istambul, em frente a uma imagem do fundador da República da Turquia, Mustafá Kemal Ataturk, diante do Centro Cultural Ataturk. O protesto solitário do homem, identificado como o artista Erdem Gunduz, desencadeou uma onda de comentários nas redes sociais, tornando-se viral e levando a que dezenas de pessoas o acompanhassem no protesto silencioso. No Twitter, a hashtag #duranadam ('homem de pé') converteu-se em 'trending topic' a nível mundial. Mais tarde, dezenas de pessoas dirigiram-se ao mesmo lugar, depois da prisão de Gunduz, que foi libertado pouco depois.

Restrições às redes sociais

O governo, entretanto, multou as quatro cadeias de televisão que mais tempo têm dedicado a informar sobre os protestos, e o Ministério de Justiça anunciou que está a preparar um projeto de lei para restringir o uso das redes sociais, em resposta à sua importância na convocatória das manifestações que abalam o país há semanas. Fontes do ministério, citadas pelo diário turco Hurriyet, disseram que "as implicações internacionais em torno deste assunto estão a ser investigadas".

Na segunda-feira, o ministro do Interior, Muammer Guler, confirmou que várias pessoas foram detidas na cidade de Izmir em resposta ao que foi descrito como tweets "provocadores".

Na semana passada, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, exigiu uma "regulação legal" das redes sociais e advertiu de que uma mensagem através do Twitter pode ser "bem mais perigosa que um carro bomba". O porta-voz do AKP, Ali Sahin, ameaçou os cibernautas e disse que as pessoas “têm de ser responsabilizadas pelo que escrevem". "Como resultado de um tweet, há pessoas que saqueiam lojas e queimam veículos, e o que os escreve deve assumir as consequências", acrescentou.

"O governo eleito está a ser objeto de uma conspiração, há uma tentativa de derrubar o governo através das redes sociais", denunciou Sahin. "Todo isso deve ter um custo, um castigo", insistiu. "Um tweet com mentiras e calúnias é bem mais perigoso que um carro bomba. A explosão de um veículo carregado de explosivos pode ter um impacto limitado, mas um tweet carregado de mentiras e calúnias pode contribuir para criar um ambiente de conflito", ameaçou.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)