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Os erros da Troika

A teimosia, arrogância e cinismo das instituições europeias e dos governos que nos países os têm executado não parecem ter limites.

Na semana que agora termina assistimos a uma troca de "piropos" entre o Fundo Monetário Internacional (FMI), A Comissão Europeia (CE) e o Banco Central Europeu (BCE), ou seja, entre os parceiros da troika. O FMI, que não é propriamente conhecido por ser uma instituição de caridade elaborou um relatório no qual constavam duras críticas ao programa de intervenção na Grécia, um país que vai já no sexto ano de recessão.

Perante as críticas referindo que o programa de ajustamento na Grécia teria erros graves, que os estragos teriam sido subestimados, que a Grécia não estaria a ser o principal "beneficiado" do programa de ajustamento – evidências, convenhamos, que já qualquer cidadão atento percebeu há muito –, a CE e o BCE vieram a terreiro para reforçar a sua devoção inabalável à lei da austeridade. Para os parceiros europeus da troika, o parecer do FMI é totalmente errado e sem qualquer fundamento. O "pequeno" problema é mesmo a realidade que está aí para demonstrar que os efeitos dos programas de ajustamento têm sido devastadores para a economia e têm sido suportados por aqueles e aquelas que menos têm.

A teimosia, arrogância e cinismo das instituições europeias e dos governos que nos países os têm executado não parecem ter limites. As razões são muito claras. Desde o início da crise, há cinco anos, que ficou bem clara qual é a grande preocupação dos executores da austeridade: saber, em cada momento, como é que vão salvar a banca e o sistema financeiro. Para isso, têm contado com o desmantelamento do Estado Social, que tem sido a verdadeira almofada dos programas de ajustamento. A crise está a ser paga desde 2009 pelos que menos têm e menos podem.

As lições da crise de 1929 há muito que ficaram pelo caminho. Se nessa altura se percebeu que era regulando os mercados e alargando os direitos sociais que se sairia da crise, hoje o caminho escolhido é o oposto e foi, precisamente, o abandono da regulação dos mercados, cuja apoteose foi vislumbrada na década de 1980 sob as "luzes" do neoliberalismo, uma das causas que nos trouxeram à situação desgraçada que hoje enfrentamos.

Está já há muito provado que a lei de Bruxelas que diz que o que é bom para os mercados financeiros é bom para a economia é uma imensa falácia. Só falta mesmo chamar à responsabilidade aqueles que na Europa, na Grécia ou em Portugal têm multiplicado os empregos perdidos e aprofundado a pobreza. Esta história, está bem de ver não é apenas grega, é também portuguesa e é também europeia.

Sobre o/a autor(a)

Eurodeputada, dirigente do Bloco de Esquerda, socióloga.
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