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"Offshore leaks" provoca demissão de banqueiro austríaco

Ao longo de 40 anos de carreira, Herbert Stepic levou o Raiffeisen Bank a tornar-se um dos maiores grupos financeiros do Centro e Leste europeu. Mas a descoberta de companhias offshore para investimentos imobiliários em Singapura levou o banqueiro a apresentar a demissão do cargo na semana passada.
Enquanto a imprensa financeira nomeava Herbert Stepic "Banqueiro Europeu do Ano" em 2006, ele tornava-se investidor imobiliário em Singapura graças a duas empresas offshore. Foto World Economic Forum/Flickr

Herbert Stepic é uma das figuras mais influentes dos meios financeiros do centro e do leste europeus e chegou a ser nomeado "Banqueiro Europeu do Ano" em 2006 e "Gestor Europeu do Ano" no ano seguinte pela imprensa financeira. O que foi agora revelado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que teve acesso a milhões de dados sobre empresas criadas em offshores, é que foi justamente nesses anos que Stepic mandou constituir, através do UBS suíço, duas empresas de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas e Hong Kong para servirem de base aos seus investimentos imobiliários em Singapura, longe do olhar do fisco austríaco.

Como em muitas outras operações nos chamados "paraísos fiscais", a identidade de Stepic foi camuflada atrás do nome de "diretores" e "acionistas" que funcionam apenas como testas de ferro e na maior parte dos casos nem sabem que empresas e negócios detêm apenas no papel. A investigação jornalística alarmou a sociedade austríaca e obrigou mesmo a ministra das Finanças, Maria Fekter, a anunciar a criação da "Comissão Especial Offshore Leaks" para colaborar com as autoridades britânicas e norte-americanas nas investigações em curso a esta fraude fiscal global de uma proporção nunca antes vista.

No anúncio da sua demissão, o banqueiro negou ter cometido qualquer irregularidade, alegando que o dinheiro usado nas empresas offshore já tinha sido antes taxado na Áustria. Stepic acrescentou que a sua demissão serviria apenas para proteger o bom nome do banco em relação à polémica instalada com a revelação das suas empresas offshore pelos parceiros do ICIJ, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e a revista austríaca News. Tanto o banco Raiffeisen com o regulador financeiro da Áustria mandaram abrir inquéritos para apurar que regras terão sido quebradas pelos investimentos offshore de Herbert Stepic.

O banqueiro que construiu um império financeiro em 17 países, com a colaboração do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento, tinha estado no centro das atenções mediáticas em abril. A polémica prendia-se com o aumento do seu salário, parcialmente indexado à cotação das ações do banco. Apesar do lucro do Raiffeisen Bank ter caído em 2012, o salário do banqueiro aumentou para 4,9 milhões de euros. Stepic acabou por devolver dois milhões de euros, alegando que aquela quantia "não está de acordo com a minha conceção nem com a do banco no que respeita à nossa base de valores". 

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