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Polícia volta a espancar manifestantes em Luanda

A vigília que assinalou um ano desde o desaparecimento de dois ativistas do movimento dos antigos combatentes angolanos acabou com a polícia a dispersar os presentes à bastonada. Um deles foi levado para a esquadra e brutalmente espancado, antes de ser deixado inanimado na rua.
Raúl Lindo "Mandela" no banco de urgências do Hospital do Prenda após o espancamento policial. Foto publicada em Maka Angola.

Segundo o site Maka Angola, a vigília realizou-se na tarde desta segunda-feira e pretendia assinalar o dia em que Alves Kamulingue, de 30 anos, foi raptado na baixa de Luanda, quando se dirigia a uma manifestação de antigos membros da Unidade de Guarda Presidencial e antigos combatentes, que reclamavam o pagamento de pensões em atraso. Dois dias depois foi a vez de desaparecer Isaías Cassule, de 34 anos, um dos organizadores da manifestação.

A ausência de informações sobre o paradeiro dos dois ativistas, bem como a ausência de investigação a estes desaparecimentos, denunciada pelas suas famílias, levaram o Movimento Revolucionário a convocar esta vigília. "Poucas esperanças temos que ainda estejam vivos, mas iremos continuar a exigir que se esclareça o que se passou com esses irmãos e não estaremos satisfeitos até que se apurem os factos e se punam os prevaricadores que, até então, continuam a merecer a protecção da estrutura de Estado com promessas vagas de investigações [...] cujos resultados teimam em não aparecer”, dizem os grupos de jovens reunidos neste Movimento Revolucionário, que têm organizado outros protestos pela liberdade e democracia, sempre reprimidos por polícias e militares fardados e à paisana.

Apesar de se tratar de uma vigília pacífica, sem palavras de ordem nem cartazes, a polícia de Luanda atacou à bastonada as cerca de 30 pessoas reunidas no Largo da Independência, prendendo dez ativistas. Alguns foram levados à esquadra e outros levados em viaturas policiais até serem libertados noutras zonas da cidade. Um deles, Raúl Lindo "Mandela", de 27 anos, foi levado para a Sexta Esquadra e brutalmente espancado. 

“Quando o Mandela recuperou os sentidos, já no nosso carro, ele explicou-nos que, na Sexta Esquadra da Polícia, junto à Cidadela, os agentes despiram-no e o torturaram com uma barra de ferro, depois vestiram-no outra vez e foram deixá-lo junto à Shoprite, desmaiado”, disse Domingos Cipriano ao Maka Angola. Este ativista afirmou ter transportado o ferido a quatro clínicas diferentes e todas se recusaram a tratá-lo. "Mandela" acabou por dar entrada na Clínica do Prenda à meia-noite sem mobilidade nos membros superiores e inferiores. 

A Polícia Nacional angolana justificou a violência em comunicado, dizendo que "os visados jovens arremessaram pedras e outros objectos contra os efectivos da polícia, tendo sido necessário recolhê-los em viaturas para dispersá-los em outros locais”. Mas não comenta o espancamento deste ativista no interior da Sexta Esquadra.

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