You are here

Vanity Fair: “O Sol nunca se deita para o império britânico de offshores e paraísos fiscais”

Num artigo publicado pela revista norte americana Vanity Fair, citado pelo jornal Público, é referido que "só as três dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas [BVI] e as Bermudas] providenciaram $332,5 biliões [mais de 257 biliões de euros] de financiamento para a City, a maioria não taxado".

"É uma surpresa para a maioria das pessoas que o mais importante player do sistema global de offshores (livre de impostos e taxas) não seja a Suíça, nem as Ilhas Caimão, mas sim a Grã-Bretanha, situada no centro de uma rede de paraísos fiscais britânicos interligados entre si, a lembrar os últimos resquícios do império”, avança Nicholas Shaxson, autor do artigo A Tale of two Londons.

“Um círculo interior formado por dependências da coroa britânica – Jersey, Guernsey, Ilhas de Man. Um pouco mais longe estão os 14 territórios espalhados pelo mundo, metade são paraísos fiscais, incluindo, por exemplo, gigantes offshores como as Ilhas Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as Bermudas. Ainda mais longe numerosos países da Commonwealth britânica e antigas colónias como Hong Kong, com fundas e antigas ligações a Londres, continuam a alimentar grandes fluxos financeiros questionáveis e sujos para dentro da City”, lê-se ainda no artigo, citado pelo jornal Público.

Nicholas Shaxson avança que "a situação dúbia, meio dentro, meio fora (colónias sem o ser), assegura um fundo de legalidade e de distância que permite à Grã-Bretanha dizer ‘que nada pode fazer’ quando um escândalo rebenta”, esclarecendo que, ainda que a oposição, por parte do governo britânico, ao aumento da regulação financeira não mereça destaque nos media, na realidade, qualquer alteração à atual “arquitetura” da city londrina (uma metrópole offshore) é encarada como uma ameaça à “competitividade” da sua indústria financeira.

Admitindo que existe ainda muito pouca informação sobre a verdadeira dimensão das transações financeiras dos offshores, Nick Shaxson assevera que, no fim do primeiro semestre de 2009, “só as três dependências da coroa britânica [Caimão, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e as Bermudas] providenciaram $332,5 biliões de financiamento [mais de 257 biliões de euros] para a City, a maioria não taxado”.

“Quem realmente vive no One Hyde Park [Londres], o edifício residencial mais caro do mundo? A maior parte dos proprietários das habitações é gente que se esconde atrás de offshores, de paraísos fiscais, o que nos dá o retrato dos novos super-ricos”, avança, sublinhando que “estas questões estão de tal modo fora de controlo que, em 2001, até a Autoridade Fiscal britânica vendeu 600 edifícios a uma companhia, a Mapeley Steps, registada no paraíso fiscal das Bermudas para evitar o pagamento de taxas”.

 


* “O Sol nunca se deita para o império britânico de offshores e paraísos fiscais” é o título que ilustra o mapa que acompanha o artigo de Nicholas Shaxson.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Internacional
(...)