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Quatro noites seguidas de distúrbios em Estocolmo

Morte de um imigrante de 69 anos com deficiência mental num tiroteio com a polícia detonou uma revolta popular nos arredores da capital da Suécia. Desemprego entre os imigrantes é de 16%.
Os governos têm fracassado nas tentativas de reduzir o desemprego jovem de longo termo e a pobreza, que afetam mais as comunidades imigrantes.

Centenas de jovens incendiaram um restaurante e mais de 30 automóveis na quarta noite consecutiva de distúrbios nos subúrbios de Estocolmo. A polícia foi recebida à pedrada, mas não houve feridos. Oito pessoas terão sido detidas.

Os incidentes começaram no domingo em Husby, a oeste de Estocolmo, onde dias antes um imigrante de 69 anos com problemas psíquicos fora morto a tiro pela polícia em sua casa, onde se barricara com a companheira. O homem alegadamente teria ameaçado os polícias com um machado e estes afirmaram ter agido em "legítima defesa".

A investigação aberta não evitou, no entanto, os distúrbios que aumentaram de intensidade na noite seguinte e alastraram a outros bairros próximos.

Cargas policiais "contra crianças e idosos" e insultos racistas

Os média suecos recolheram testemunhos de moradores de Husby que denunciaram cargas policiais "contra crianças e idosos" e que acusaram a polícia da autoria de insultos racistas.

A associação Megafon, que trabalha com grupos de jovens emigrantes na zona, protestou contra a atitude racista da polícia e contra o abandono que se vive nesses bairros, com índices de desemprego jovem que chegam aos 20%.

Os empreendimentos de Husby foram construídos no início da década de 1970. Cerca de 12.000 pessoas residem no local e 80% são imigrantes ou filhos de imigrantes.

Crescimento da desigualdade mais rápido nos países avançados

Selcuk Ceken, que trabalha no centro de juventude no distrito de Hagsatra, disse que “é difícil dizer por que estão a fazer isto”. Na sua opinião, talvez seja a fúria contra as forças da ordem, talvez o ódio contra a sua própria situação pessoal, tal como o desemprego ou não terem onde viver.

Segundo o diário britânico The Guardian, após décadas de prática do modelo sueco de bem-estar social, a Suécia reduziu o papel do Estado desde os anos 90, desencadeando o crescimento da desigualdade mais rápido de qualquer economia avançada da OCDE.

Apesar de os níveis de vida serem ainda dos mais altos da Europa, os governos têm fracassado nas tentativas de reduzir o desemprego jovem de longo termo e a pobreza, que afetam mais as comunidades imigrantes.

Cerca de 15% da população nasceu no estrangeiro e o desemprego entre esta população é de 16%, comparada aos 6% dos suecos nativos.

Segundo o jornal Aftonbladet, os distúrbios representam um “fracasso gigantesco” das políticas governamentais.

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