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Juntar forças para correr com Passos & Portas

Portas mentiu descaradamente e aprovou o ataque brutal aos direitos dos trabalhadores, incluindo a “TSU dos pensionistas”. Juntar muitas vozes e vontades para articular resistências no campo social é uma urgência e um forte impulso para derrotar este caminho de destruição da sociedade portuguesa.

No momento em que o desemprego “real” atinge um nível recorde nunca visto em Portugal, uma taxa de 27%, mais de 1,5 milhões de homens e mulheres, incluindo 165,9 mil jovens entre os 15-24 anos que representam uma taxa de 42,1% de desemprego jovem. Não podemos ignorar que esta situação dramática se vai agravar, as previsões do governo apontam para taxas de desemprego de 18,2% em 2013 e 18,5 em 2014.

A juntar a este desemprego galopante, os níveis de precariedade laboral agravam-se; 161 mil portugueses ganham menos de 310 €, uma subida de 9,2%; a emigração torna-se uma premência para milhares de cidadãos por impossibilidade concreta de não se conseguir “arranjar trabalho”.

E o que faz o governo de Passos & Portas?- lança mais um ataque brutal aos direitos dos trabalhadores e reformados, apostando numa divisão fomentadora de populismos e tão ao gosto da direita, entre trabalhadores do setor público e privado.

Não nos deixemos enganar. O que está em jogo é a velha aspiração de “dividir para reinar”, ao mesmo tempo que procuram baixar o salário, roubar a pensão, aumentar o horário de trabalho, despedir fácil e barato, com o objetivo final de transferir rendimentos do trabalho para o capital duma forma rápida e violenta e isso obriga a aumentar a exploração de Todos os que vivem do trabalho.

Ainda a pretexto da austeridade, outra das grandes metas do governo PSD/CDS, apoiado pelo Presidente da República, é a destruição do Estado Social que foi criado com o 25 de Abril. Ao invés dessa política destruidora que afronta a própria democracia, o que precisamos é dum Estado Social que aposte na melhoria da Educação, da Saúde, da Segurança Social, invista na criação de emprego e ajude a economia a crescer, não descurando uma justa redistribuição de rendimento no apoio aos mais frágeis.

Sabemos que para alterar o estado a que isto chegou, é preciso derrubar o governo, exigir a convocação de eleições imediatas, formar um governo de esquerda que rompa com o memorando da Troika.

Precisamos de ousadia, coragem e confiança para construir o caminho que nos permita concretizar esta necessidade de mudança política, económica e social que é sentida pela grande maioria dos cidadãos. Precisamos de nos encontrar à esquerda e conjugar forças, sem sectarismos nem exclusões.

A junção de muitas vozes e vontades para articular resistências no campo social é uma urgência e um forte impulso para a concretização dos nossos objetivos de mudança.

O encontro no dia 9 de Maio entre as direções da CGTP e UGT, pode ser um bom sinal para as lutas que necessariamente vamos ter ainda de travar para defender os nossos direitos e contribuir para o derrube do governo.

As declarações vindas a público de Arménio Carlos anunciam que a reunião foi “muito importante” abriu-se um “espaço de intervenção que importa dinamizar” a CGTP fará “tudo o que estiver ao seu alcance para que esta unidade tenha resultado”, “ou nos unimos ou eles esmagam-nos”. Por seu lado Carlos Silva diz que “ as centrais vão reunir em separado com dirigentes sectoriais da administração pública, depois dos transportes e também da Educação para estudar ações conjuntas e que “ a unidade na ação será reforçada com o apoio explícito das centrais”, “ há uma nova atitude” e “ a vontade de aproximação é real”.

Ousemos com coragem e confiança, alterar de facto o relacionamento entre as centrais, que só tem servido objetivamente os interesses do governo. Não é um caminho fácil, mas a tão propalada unidade de ação tem de servir os trabalhadores e abrir espaço a alterações que lhes permitam passar da resistência ao contra-ataque.

As lutas que aí vêm já em 25 Maio; 1 Junho; 7 a 15 Junho são muito importantes quer à escala nacional, quer à escala europeia e tudo devemos fazer para que tenham êxito.

Os tempos em Portugal são de intolerável austeridade, empobrecimento, miséria, fome, diminuição da democracia. Faz recordar outros tempos.

Leva-nos a pensar se não está na hora de equacionar desde já as condições para a realização duma Greve Geral na primeira semana de julho, construída em unidade por todo o movimento sindical e que com os demais movimentos sociais, desse uma resposta excecional a esta violenta e brutal ofensiva do governo e da Troika.

Querendo, podemos fazê-lo.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente sindical, membro do Conselho Nacional da CGTP
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