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Concentração de CO2 na atmosfera pode ultrapassar 400ppm em maio

A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera poderá ficar acima das 400 partes por milhão (ppm) em boa parte do Hemisfério Norte já em maio deste ano. Será a primeira vez em mais de três milhões de anos que a barreira dos 400ppm será ultrapassada. Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil
A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera poderá ficar acima das 400 partes por milhão (ppm) em boa parte do Hemisfério Norte já em maio deste ano.

A informação vem da Scripps Institution of Oceanography, da Universidade de San Diego, que está a monitorizar a estação de Mauna Loa, no Havai, uma das mais importantes do mundo. A estação fica propositadamente distante de qualquer grande ocupação humana para evitar a deturpação dos seus dados.

A medição mais recente, do dia 22 de abril, mostra uma concentração de CO2 de 398.36 ppm. A tendência é que no mês que vem a barreira de 400ppm seja ultrapassada. Mesmo se isso não acontecer, os investigadores dão como certo que em 2014 já estaremos a viver num planeta acima dos 400ppm.

“Eu gostaria que isso não fosse verdade, mas parece que o mundo vai estourar a barreira dos 400ppm sem o menor esforço. Nesse ritmo, chegaremos a 450ppm em poucas décadas”, afirmou o geofísico Ralph Keeling, filho de uma das maiores autoridades mundiais sobre gases do efeito de estufa, Charles David (Dave) Keeling.

Investigadores acreditam que a última vez que a concentração de CO2 esteve acima da marca dos 400ppm foi entre 3,2 milhões e cinco milhões de anos atrás, quando o planeta era muito mais quente que hoje.

Antes da Revolução Industrial a presença de CO2 estava em torno de 280ppm e em 1958, quando Keeling começou as suas medições, estava em 316ppm.

Segundo a Scripps Institution of Oceanography, a taxa de aumento da concentração de CO2 na atmosfera é sem precedentes, não existindo nenhum outro período conhecido com um crescimento tão acelerado. Para a entidade, não existe dúvida de que isso é uma consequência da queima de combustíveis fósseis.

“A marca de 400ppm deveria ser um alerta para que todos passem a apoiar tecnologias de energia limpa e a redução das emissões de gases do efeito estufa antes que seja muito tarde para nossos filhos e netos”, afirmou Tim Lueker, oceanográfico do Scripps.

A contribuição de Dave Keeling para a ciência atmosférica foi tão relevante que a curva que mede a concentração de CO2 recebeu o seu nome. O acompanhamento diário dela pode ser feito por um portal online ou pelo Twitter @keeling_curve.

Artigo de Fabiano Ávila, publicado em Instituto CarbonoBrasil

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