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Autarcas contestam terminal de contentores na Trafaria

A Assembleia Metropolitana de Lisboa aprovou um parecer arrasador da proposta de construir um terminal de contentores na Trafaria, criticando a ausência de estudos ambientais e até económicos comparativos com "a excelente 'porta oceânica' que já existe em Sines e está subaproveitada".
Foto Paulete Matos

O parecer foi aprovado esta segunda-feira com os 24 votos dos deputados metropolitanos do Bloco de Esquerda, PS e CDU, acompanhados por um voto do CDS. Os sete deputados do PSD votaram contra, tal como dois deputados do CDS. Na sua análise, a Assembleia Metropolitana sublinhou o desconhecimento sobre o modelo negocial previsto para a construção do porto de contentores na Trafaria, bem como do terminal de cruzeiros em Santa Apolónia e da marina para grandes iates em Alcântara, dois projetos que a Assembleia vê com bons olhos, "reforçando o destino Lisboa que já é um dos maiores portos europeus de navios de turismo e de recreio".

Os deputados estimam que o terminal de contentores na Trafaria "obrigará à implantação de infraestruturas rodo e ferroviárias pesadas", uma vez que "na falta da terceira travessia do Tejo, exigirá uma deslocação de mais de 200 Km" para chegar ao terminal logístico de contentores de Lisboa. Para além disso, a ocupação estimada de 300 hectares irá forçar "a uma enorme massa de aterro" numa área que "não permite a implantação das áreas logísticas e plataformas de atividades do secundário e do terciário necessariamente complementares a um grande terminal de carga".

A Assembleia Metropolitana recorda que sendo este um porto destinado aos "grandes porta contentores para as ligações transoceânicas permitidas pelo alargamento do Canal do Panamá" - os "superpanamax" - "não se percebe a necessidade de duplicar, a cinquenta milhas náuticas, a excelente 'porta oceânica' que já existe em Sines e está subaproveitada". Para além de ter as "condições ideais para alargamento das áreas logísticas e empresariais", o porto de Sines "tem ainda a possibilidade de criação de áreas para o transbordo de cargas entre os “superpanamax” e navios de menor dimensão", para além de poder ligar esse volume de mercadorias a vias de comunicação importantes, "sendo aliás o único porto português para onde está previsto avançar ligação ferroviária de velocidade elevada e em bitola europeia", lembra o parecer aprovado pelos autarcas da Área Metropolitana de Lisboa.

O impacto ambiental de uma obra desta envergadura na Trafaria também é desconhecido até ao momento, nomeadamente "as consequências que possam vir a decorrer, em toda a área estuarina e à frente de praias atlânticas, devido à enorme massa de aterro junto à saída do estuário do Tejo", alerta o parecer. Os deputados aconselham ainda a manutenção do terminal de carga em Alcântara e a manutenção dos postos de trabalho e da atividade empresarial portuária no Porto de Lisboa. E apontam para a "enorme falha" em todo o processo que é a falta de condições infraestruturais no Porto de Lisboa que sejam "adequadas às necessidades dos vários núcleos piscatórios nele instalados".

Catarina Martins: "Custos ambientais vão perdurar por gerações"

Na semana passada, o Bloco de Esquerda organizou uma ação de protesto no Passeio Ribeirinho da Trafaria, com a pintura de um mural contra a instalação do terminal de contentores. “Se os contentores vierem para a Trafaria e se as alterações aos portos forem feitas sabemos que vamos viver no futuro danos ambientais que vão perdurar por gerações e sabemos também que, do ponto de vista económico, do desenvolvimento do nosso país, vamos estar a ter uma competição entre os nossos portos que vai afundar ainda mais a nossa economia e também vai ter custos de gerações”, afirmou a oordenadora bloquista Catarina Martins.

Para a deputada Mariana Aiveca, também presente na ação de rua, "o povo da Trafaria sabe que pode contar com o Bloco em defesa da sua terra, já tão estigmatizada e já tão abandonada”, prometendo questionar o Governo sobre o plano do novo terminal. “O ministro da Economia diz que este investimento é muito importante como porta de entrada, mas já existe um porto importante, de águas profundas, no distrito de Setúbal e que cumpre exactamente os objectivos que ele diz que quer cumprir aqui na Trafaria”, afirmou Mariana Aiveca, acusando o Governo que querer "transformar a Trafaria no “caixote de lixo de Almada e da margem sul”.

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